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Estaria a mentir se dissesse que fazer uma viagem pela Costa Amalfitana estava no topo da nossa bucket list. Um erro, eu sei. Sabendo o que sei agora, tenho a certeza de que esta foi uma das viagens que mais nos marcou.

First things first. Marcar por impulso, pensar depois.

Esta viagem começou numa daquelas pesquisas aleatórias que eu e a minha namorada fazemos, sem datas pré-definidas e sem nenhum destino específico em mente. Foi então que uma daquelas promoções incríveis apareceu!

Quase sem pesquisas adicionais, demos por nós, minutos depois, a comprar uma viagem Porto-Nápoles-Porto (7 dias), na última semana de maio (segundo o que soubemos mais tarde, uma das melhores épocas para visitar a Costa Amalfitana).

Sugestão:

Se quiser explorar a Costa Amalfitana, recomendo que voe para o aeroporto de Nápoles para iniciar a sua aventura. Nós voamos desde o Porto, através da Easyjet. Os transportes (comboios e autocarros) de/para as principais cidades da Costa Amalfitana são frequentes.

A grande decisão: vamos à descoberta

Planear previamente e ao detalhe as viagens é algo que gostamos de fazer. Assim, sabemos que, no destino, apenas temos que descontrair e desfrutar. Mas desta vez resolvemos ir à descoberta, sem roteiros nem horas para visitar os monumentos X ou Y.

A única coisa que definimos antes da viagem foram os locais que queríamos visitar e marcamos os alojamentos nas áreas mais centrais possíveis. As horas? O que visitar? O que comer? Isso…decide-se no dia!

O roteiro de 7 dias na Costa Amalfitana

O objetivo da viagem era conhecer esta região num ritmo calmo, em que tivéssemos tempo para saborear um gelado, apanhar sol nas praias: no fundo descansar. Não queríamos, de todo, um daqueles roteiros que se multiplicam na internet: “Amalfi Coast in 3 days” em que se “conhece” tudo.

O nosso roteiro era de 7 dias e, acreditem, tivemos de abdicar de muitas coisas. O que é ótimo, pois temos razões para voltar!

  • Nápoles
  • Monte Vesúvio
  • Pompeia
  • Castellammare di Stabia
  • Sorrento
  • Positano
  • Capri
  • Amalfi
  • Atrani
  • Maiori
  • Minori
  • Cetara
  • Vietri Sul Mare
  • Salerno
  • Nápoles

Curiosamente, a surpresa começou logo no avião

Normalmente, as viagens de avião não “entram” em artigos desta natureza. Mas esta foi diferente, por causa de Salvatore, um italiano na casa dos 70 anos. Por sorte, foi ao seu lado que viajamos. Assim que o avião descolou, iniciamos uma agradável conversa. Salvatore falava português perfeito (diz que aprendeu pela grande paixão que tem ao nosso país, que já visitou várias vezes).

Conversa puxa conversa, ficamos a conhecer as fantásticas histórias de Salvatore na Costa Amalfitana (e descobrimos os locais secretos que “só nós, residentes, conhecemos”) e demos por nós com um roteiro mental desenhado.

Quando aterramos em Nápoles, às 23h40, a ansiedade era grande! Será que o fantástico mundo que Salvatore nos contou era mesmo assim? Será que exagerou (como tantas vezes fazemos quando gostamos verdadeiramente de algo)? Será que a experiência iria corresponder à expectativa que, agora, estava nos píncaros?

Perguntas para começarem a ser respondidas no dia seguinte. Por hoje, dormíamos no centro de Nápoles.

Sugestão:

Fizemos a viagem do aeroporto para o centro de Nápoles num shuttle da empresa Alibus. Uma viagem de 15/20 minutos, que custa 5€/pessoa, e que nos deixa junto da Piazza Garibaldi (mesmo no centro da cidade).

Dia 1 – “Escalar” o Vesúvio.

Este foi um dia que começou cedo, uma vez que tínhamos combinado subir o Vesúvio de manhã e deixar-nos perder (foi mesmo isto que aconteceu) em Pompeia, da parte da tarde. A visita a Nápoles ficou guardada para o último dia.

Sugestão:

Para a nossa viagem, decidimos utilizar os comboios e os autocarros públicos. Já o tínhamos feito na nossa última experiência no Norte de Itália, e, mais uma vez correu tudo bem! Alugar carro ou mota é também uma opção para quem quiser explorar a Costa Amalfitana num ritmo mais “rápido”, mas o estacionamento pode ser um problema.

Às 8h00 o nosso comboio partia da Estação Napoli Porta Nolana para Estação Ercolano, a paragem mais indicada para iniciar a visita ao Monte Vesúvio. Trata-se de um comboio regional (o bilhete é comprado na própria estação) que faz a linha Nápoles-Sorrento. À saída da Estação Ercolano, temos à espera o autocarro “Vesuvio Express” que nos irá deixar no início do percurso do Monte Vesúvio, numa viagem de 30 minutos. Recomendo comprar online os bilhetes do autocarro e da entrada no Monte Vesúvio, para evitar filas.

Estava um dia nublado, com vento bastante forte. A subida ao Monte Vesúvio foi ditada por este clima. À medida que íamos subindo, mais forte soprava o vento, mas a paisagem compensava tudo. De um lado temos o “cone” do vulcão onde é possível ver e sentir o vapor, do outro lado temos uma fantástica vista para o mar mediterrâneo e para as cidades envolventes.

Importa realçar que a subida requer algum esforço, mas torna-se mais acessível se fizermos num ritmo calmo. Ao longo do percurso também existem algumas lojas, onde poderá tomar café, beber água ou comprar um souvenir.

Depois de 45 minutos a subir e 25 minutos a descer, estamos de regresso ao local onde o autocarro nos deixou, para regressar à Estação Ercolano, onde partiremos para Pompeia (mesma linha Nápoles-Sorrento).

A paragem Pompei Scavi-Villa dei Misteri fica mesmo junto à entrada do complexo arqueológico de Pompeia. Assim que saímos da estação temos várias esplanadas e bares onde pode almoçar algo rápido. Esta foi a nossa opção (a primeira fatia de pizza, de muitas que a viagem teria).

Dia 1 – Pompeia – Não estava preparado para o que ia visitar…

Visitar Pompeia era uma daquelas experiências que mais desejávamos viver. O facto de durante tantos séculos este incrível património ter estado “soterrado”, fascinava-me há muito tempo.

Mas este foi o primeiro “choque” da minha viagem. Nunca, mas nunca mesmo, imaginei a dimensão do espaço! Confesso que fiquei surpreendido! A dimensão arrebatou-me completamente. Acreditem que disse mais de 20 ou 30 vezes a frase “como é possível isto tudo ter estado debaixo de terra, durante tantos anos?”.

Caminhar por estas ruas, conhecer as casas, os monumentos (ou melhor, o que resta deles) foi algo que dificilmente esqueceremos. Ao contrário de muitas pessoas por quem íamos passando, optamos por não fazer um tour guiado (há uma grande oferta e em várias línguas), e deixamo-nos perder, literalmente, pelo complexo arqueológico.

Acredito que ficaram por conhecer vários elementos históricos e por entender pormenores que, por certo, nos dariam outro enquadramento, mas a experiência de percorrer Pompeia sem o “stress” de andar de ponto em ponto e poder parar, entrar em edifícios sempre que estes suscitavam o nosso interesse, e interpretar o espaço pelos nossos olhos é algo impagável.

No final, e porque os quilómetros do dia já pesavam (mais de 20km a esta altura), sentamo-nos no Fórum, não só para descansar, mas também para observar a agitação que aquele espaço (que outrora tinha estado debaixo de terra) tinha naquele momento.

Este é o nosso cenário final. À nossa direita o Monte Vesúvio. À esquerda a famosa estátua do Centauro. À nossa volta um mar de gente curiosa, em passo acelerado, com telemóveis na mão a registar tudo.

Sugestão:

Recomendo a compra online do bilhete para evitar as filas. Junto à entrada Porta Marina (lado esquerdo) existe uma área com vários cacifos onde podem deixar as vossas malas/mochilas. Os cacifos são grátis para quem tiver bilhete.

Dia 1 – Já ouviu falar de Castellammare di Stabia?

Nós também não. Uma das coisas que mais gostamos de fazer nas viagens é parar numa cidade que seja menos conhecida, e onde se possa “sentir” mais a comunidade local.

Quando olhamos para o mapa, procuramos um desses locais, que ficasse entre Pompeia e Sorrento (que iríamos visitar no dia seguinte). Foi assim que ficamos a conhecer Castellammare di Stabia, o sítio onde pernoitamos, a menos de 15 minutos de comboio, desde Pompeia.

E sabem que mais? Castellammare di Stabia foi uma grande surpresa. Uma cidade calma, com uma marginal lindíssima e bastante agradável para caminhar e onde é possível contactar com a população local. Recomendamos uma paragem (nem que seja rápida).

Dia 2 – Sorrento, paragens obrigatórias de 5 em 5 metros

Depois de um bom pequeno-almoço em Castellammare di Stabia, partimos de comboio para Sorrento. Uma viagem curta de 10 minutos.

Sorrento é um daqueles sítios de paragem obrigatória para quem visita a Costa Amalfitana e mal se chega ao local é fácil compreender porquê! Paisagens incríveis, ruas que encantam e que, quase nos “obrigam” a parar de 5 em 5 metros.

Como não tínhamos nada planeado, após sairmos da estação de comboios partimos à descoberta deste local incrível. De forma natural o nosso primeiro ponto de paragem foi a Piazza Tasso, bastante conhecida no Instagram pela vista sobre o Mediterrâneo, mas também pelos seus históricos cafés/restaurantes (foi num destes – o Fauno Bar – que almoçamos, mais tarde neste dia).

Depois das fotografias da praxe, entramos na Via S. Cesaro (uma rua bastante estreita, mas com uma agitação que nos surpreende). Aqui vai encontrar limões para comer ou beber, limões de decoração, azulejos com limões, toalhas com…limões. Em resumo, tudo aqui tem uma ligação aos limões (fruto tradicional desta região). Percorremos a Corso Itália, onde havia mais lojas com limões.

Após o almoço, era o momento de conhecermos a área junto ao mar.

Mas pelo caminho, as paisagens iam-nos parando quase de minuto em minuto. Incríveis! A vista do parque urbano Villa Comunale di Sorrento, junto à Igreja de São Francisco é magnífica!

Após muitas pausas (para nos deliciarmos com as vistas) chegamos à Marina Grande. Rapidamente compreendemos onde estamos: uma área piscatória, onde podem encontrar várias pessoas, com as suas canas, a pescar no mar. Não o fizemos, mas acreditamos que esta seja uma ótima área para almoçar.

Subimos novamente até à zona urbana e paramos para descansar na Piazza della Vittoria, mais um sítio com uma vista magnífica. Regressamos à Villa Comunale di Sorrento, mas desta vez para descer as famosas escadas que nos levam novamente junto ao mar e às praias desta cidade.

Após percorrermos esta zona, e já no final do dia, era o momento para um gelado. Mas não um qualquer. Decidimos voltar à Corso Itália para “visitar” uma gelataria que já tínhamos “ouvido” falar no Instagram, e que nos tinha “ficado no olho” quando por lá passamos: a Raki. Uma longa caminhada que valeu bem a pena!

Depois do jantar, foi o momento para provar (pela primeira vez) o famoso Limoncello da Costa Amalfitana. E é verdade o que dizem. Podemos já ter provado Limoncello várias vezes na nossa vida, mas quando o provamos aqui, o sabor é diferente.

Dia 3 – Positano – o ponto alto desta viagem!

Spoiler alert!

Positano foi o ponto alto desta viagem!

Incrível! Fantástico! Irreal! Todos os adjetivos que existam, são insuficientes para categorizar a beleza desde local.

Mas, comecemos pela manhã desorganizada deste dia!

Acordamos em Sorrento. No dia anterior tínhamos decidido fazer uma daytrip em Positano, por isso analisamos os horários dos autocarros e tínhamos partidas de Sorrento, de hora em hora: fantástico. Vamos no autocarro das 9h!

Erro de principiante! Ainda nem acredito…

Assim que chegamos à estação de autocarros, para comprar o nosso bilhete vemos uma longa fila junto a um autocarro (com pessoas suficientes para encher 4/5 autocarros) e uma placa no quiosque com a mensagem “biglietti esauriti” – bilhetes esgotados.

Como? E agora? Com um misto de raiva e desilusão, fui falar com alguns motoristas, que me disseram que “a correr bem” voltariam a abrir a bilheteira dali a 2/3 horas e que podia esperar na fila (a tal que falei há pouco).

Foi então que olhei para o fundo da praça e vi alguns táxis. Após falar com o taxista, compreendi que se conseguisse um grupo 8 pessoas, ele nos levaria até Positano.

Por fim, uma solução à vista! Agora “só” era preciso convencer mais 6 pessoas daquela enorme fila a juntarem-se a nós. Minutos depois… tarefa concluída com sucesso.

Lá íamos nós a caminho de Positano: um casal de portugueses, outro de argentinos e outro de espanhóis e, ainda, uma mãe e uma filha sul coreanas. 3 continentes representados num táxi italiano (é isto que me fascina nas viagens!).

Chegados a Positano…Uau!

O primeiro de muitos “uau’s” que ia dizer neste dia…

O táxi deixou-nos num miradouro, na via Amalfi Dor, com uma vista incrível para Positano. É daqui que são tiradas as célebres fotografias deste lugar mágico. Antes de partir, o taxista deu-nos uma dica bastante útil, indicando-nos umas escadas (junto a uma casinha amarela) que dão acesso ao centro de Positano. Além de terem uma vista incrível, encurtam bastante o percurso até ao centro.

Quando chegamos ao centro de Positano, foi “só” desligarmo-nos de tudo e registar nas nossas memórias o máximo possível. Depois de explorar as ruas pedonais, recheadas de lojas incríveis, decidimos parar para desfrutar da praia junto à Marina Grande, que tem uma vista magnífica, e experimentar entrar na água do mediterrâneo. Fizemo-lo, várias vezes, porque estava bastante convidativa. Tanto, que por aqui passamos uma boa parte do nosso dia.

Antes de regressarmos a Sorrento, voltamos a percorrer as ruas e subimos a Via Cristoforo Colombo em direção à paragem de autocarros (desta vez antecipamo-nos e compramos o bilhete mal chegamos a Positano).

Para compreenderem como estávamos siderados com a beleza de Positano, demoramos mais de 1h a fazer um percurso de 500 metros, com paragens a quase todos os momentos, pois as paisagens assim o exigiam!

Como o dia já ia longo e no dia seguinte tínhamos Ferry para Capri, quando chegamos a Sorrento optamos por jantar e descansar mais cedo.

Dia 4: Capri, das paisagens incríveis à receção por Vicenzo

Quando procuramos alojamento para a viagem, consultamos alguns blogs e uma coisa suscitou-nos interesse: a maioria dos artigos que lemos diziam que “podemos ir e vir a Capri no mesmo dia”. Pois bem, fizemos exatamente o contrário: decidimos dormir em Capri (ou, no nosso caso, em Anacapri).

Pelas 9h30 o nosso ferry (repleto de pessoas) partia de Sorrento, rumo a Capri. Já outros tinham partido antes de nós, e outros o fariam em breve. A viagem demora cerca de 30/40 minutos e é muito tranquila.

Chegados ao Porto de Capri, percebemos o impacto da informação que os artigos que lemos, tinha. Centenas de pessoas, todas afunilando-se para ir rapidamente para os sítios mais “recomendados”, e poder “ver tudo” antes da hora do ferry de regresso.

Como íamos pernoitar em Anacapri (cidade ao lado de Capri) e tínhamos tempo, fomos fugindo (na medida do possível) da confusão de pessoas que se amontoavam a subir as famosas escadas junto ao Porto (cerca de 1000 degraus) ou que faziam fila à entrada do funicular que dá acesso ao centro.

Para o fazer, decidimos deslocar-nos na ilha através de autocarro. Já tínhamos lido que a rede de transportes públicos era muito boa, mas ficamos surpreendidos com a frequência (fizemos imensas viagens durante este dia e foi raro termos de esperar muito tempo)! Compramos um bilhete-dia e assim tivemos a possibilidade de explorar a ilha. Aqui, falamos de autocarros com capacidade para 20 pessoas que são utilizados pelos residentes, pelo que consoante a hora do dia podem ir mais cheios, ou vazios.

A primeira paragem que fizemos foi no centro de Capri. Percorrer as “vias” pedonais da cidade é uma experiência bastante agradável e rapidamente somos envolvidos pelo ambiente proporcionado pelas lojas das marcas de luxo mais famosas a nível mundial (na Via Camerelle).

Depois de uma caminhada, fomos conhecer os Jardins de Augusto (Giardini di Augusto). As vistas são fantásticas e, acreditem, o difícil é escolher o melhor ângulo para a fotografia. Daqui podíamos percorrer a Via Krupp que lemos também ser um percurso bastante agradável, mas quando visitamos Capri estava em obras (um motivo para regressar).

Depois de vermos o centro (algo que fizemos em menos de duas horas) fomos conhecer a Marina Piccola. Fizemos a viagem de autocarro (10 minutos). Mal chegamos, decidimos de imediato que era ali que iríamos passar a tarde. Este é um lugar encantador, com alguns restaurantes, bares e três praias muito pequeninas.

Após uma “visita de reconhecimento”, decidimos almoçar algo por ali, fazer o check-in no alojamento e regressar.

O alojamento que reservamos – Capri Dreaming – fica em Anacapri (mais uma viagem de 15 minutos de autocarro). Quando chegamos ao alojamento, a nossa espectativa era “receber a chave”, “equiparmo-nos com roupa de praia” e voltar à Marina Piccola.

Mas à nossa espera estava Vicenzo, um senhor na casa dos 70 anos que apenas falava italiano, e que nos apaixonou. Nos dias anteriores tínhamos tido check-ins normais. Mas este foi diferente. Pela positiva!

Vicenzo fez questão de nos levar para uma sala super bem decorada, onde tinha preparado bebidas e bolachas para nós. Também se disponibilizou para levar a mala da minha namorada: o seu olhar quando dissemos que não era necessário, fez-nos desistir do pedido; era uma questão de cavalheirismo que não estava em discussão.

Vicenzo tinha consigo um roteiro feito por ele, escrito em português, onde sugeria visitas a “sítios menos conhecidos” e restaurantes onde “se comia bem e em conta”. Como apenas falava italiano, surpreendeu-nos quando tirou o telemóvel, “falou” para o Google tradutor e ouvimos a mensagem em português. Quem diz que as novas tecnologias não são para pessoas mais velhas, claramente, não conheceu a agilidade de Vicenzo.

Depois desta calorosa receção e antes de voltarmos à Marina Piccola fomos visitar alguns dos “segredos” que Vicenzo nos recomendou (não podemos dizer quais. Vicenzo fez questão de pedir para guardar segredo, pois apenas os partilha com os seus hóspedes). Terminamos a nossa tarde numa das praias da Marina Piccola, o que foi ótimo para descansar.

Eram agora 18h30. Estávamos de regresso ao centro de Capri, onde íamos jantar, mais tarde, num dos restaurantes recomendados por Vicenzo.

Aqui chegados fomos novamente surpreendidos! Lembram-se da azáfama que referi existir pela manhã? Agora, essa Capri não existe. Circula-se calmamente pelas ruas. O número de pessoas reduziu significativamente. De forma natural, o nosso sentimento de felicidade cresce e sentimos que – embora não soubéssemos – era esta paz de que estávamos a precisar.

Sentamo-nos num banco público a assistir ao pôr-do-sol. Deliciamo-nos a ver o céu ser pintado de cores. Anoitece, ligam-se as iluminações públicas. A paisagem que, há pouco, era iluminada pela beleza da luz do dia é agora complementada por um jogo de luzes. Altera-se a luz. Mantém-se a beleza.

Depois do jantar no Al Grottino, e para terminar este dia incrível fomos provar aquele que, segundo Vicenzo, é o melhor gelado do mundo. Depois de provar, só podemos dizer-vos que Vicenzo ganhou mais dois apoiantes para a sua “causa”. Foi das melhores coisas que já provamos!

Apontem. Paragem obrigatória: Gelateria Buonocore.

Com um sabor doce na boca e no coração, termina este nosso dia incrível em Capri. Amanhã, Amalfi!

Dia 5: Amalfi, uma peça de teatro da qual fazemos rapidamente parte

O início da manhã foi marcado pela despedida a Vicenzo. Como podem imaginar, como era um excelente contador de histórias (e como tem muitas), despedirmo-nos a tempo de apanhar o ferry foi uma missão difícil, mas alcançada (bastou acelerar o passo – ou melhor correr um pouco).

O trajeto de ferry Capri-Amalfi não é muitas vezes sugerido nos artigos que lemos, mas é um percurso que recomendamos bastante. É uma viagem rápida (45 minutos), onde somos brindados por paisagens belíssimas.

Chegados a Amalfi, mais uma vez somos “engolidos” pela multidão, porém, consegue-se circular livremente. Decidimos caminhar um pouco e visitar Atrani, que fica a menos de 2km de Amalfi. Embora esteja “mesmo ao lado”, este é um lugar muito pouco visitado. Aqui, sente-se a comunidade local e vê-se a “vida” a acontecer. Pessoas às compras nas mercearias. Nas peixarias uma azáfama de trabalho. Nas ruas, as pessoas agrupam-se para “meter a conversa em dia”. Na praça central, um grupo de senhoras está a tomar o pequeno-almoço, numa esplanada.

Uma realidade completamente distinta daquela que, a menos de 2km, se estava a viver. Terminada esta visita, estava na hora de nos dedicarmos a explorar Amalfi.

Rapidamente percebemos a magia deste lugar. Há uma união entre a paisagem natural e a cultura. A tradição preserva-se. Os limões voltam a ser personagem principal nas lojas, nos bares, nas esplanadas, nas mãos das pessoas que caminham fascinadas pela beleza deste lugar.

Percorremos as ruas. Por vezes, percorremos a mesma rua várias vezes e, acreditem, há sempre algo novo que nos capta a atenção. Visitar Amalfi é isto. Andar de um lado para o outro e, simplesmente, viver.

A visita à Duomo de Amalfi é obrigatória. Assim que nos deparamos com ela, somos surpreendidos pela incrível ornamentação da sua fachada e pela imensidão das suas escadas. Depois de a visitarmos, decidimos almoçar num restaurante situado mesmo em frente à Duomo.

As escadas da Duomo foram o pano de fundo do nosso almoço. Esta nossa escolha foi, talvez, das mais acertadas que fizemos. Não só pela comida (que estava maravilhosa), mas porque à nossa frente, nas escadas, observávamos a “vida a acontecer”. Naquelas escadas imensas, víamos noivos em sessões fotográficas, influencers em sessões ainda mais rebuscadas do que a dos fotógrafos profissionais, pais a brincar com os filhos, casais de namorados a definir planos para a tarde, grupos a receberem informações dos seus guias, pessoas a apanhar sol…

Ali, as escadas eram um palco. E nós, assistíamos a uma peça de teatro da vida real.

Após percorrermos novamente as ruas de Amalfi, terminamos o dia na praia da Marina Grande. Sol, água do mar e descanso.

À semelhança do que sentimos em Capri, à medida que anoitece, as ruas vão-se “esvaziando”. Vemos, agora, pormenores que nos escaparam nas primeiras visitas.

Jantamos. Caminhamos serenamente. Observamos o mar tranquilo. Já poucos requisitam as escadas da Duomo. Como nós, também elas começam a descansar, pois amanhã o dia será novamente intenso.

Dia 6 – Até Salerno, com Maiori, Minori e Vietri Sul Mare pelo meio

Amalfi, Sorrento e Positano são os locais mais vezes recomendados, mas a Costa Amalfitana tem muito mais para ver. Para o penúltimo dia guardamos aquele que seria o percurso que nos obrigaria a mais paragens, após termos descoberto que existe uma linha de autocarro que faz a viagem entre Amalfi e Salerno.

Compramos o bilhete-dia num quiosque junto ao Porto de Amalfi e partimos à descoberta. O destino era Salerno, mas pelo meio muitas paragens, que nos permitiriam visitar outros sítios desta região.

O primeiro foi Minori.

Um lugar muito parecido com Castellamare di Stabia, onde estivemos no nosso primeiro dia, com uma marginal bastante agradável. A praia? Incrível. Ficamos com pena de não a aproveitar (era cedo e tínhamos outros planos para o dia), pois era uma daquelas praias que dá mesmo vontade de “esticar” a toalha e ir ao mar.

Minori, como a maioria dos sítios que iríamos visitar nesse dia, é bastante calmo, e nós éramos dos poucos que por lá estavam a visitar. A visita faz-se rápido. Além da marginal, percorrer as ruas e visitar a Basilica of Saint Trofimena são pontos a não perder.

Seguiu-se Maiori.

A 5 minutos (se tanto) de autocarro, encontramos Maiori. Tal como o nome indica, é uma versão maior de Minori. Também aqui, o mar marca presença na paisagem, que encanta quem aqui para. Exploramos o seu centro histórico. Era dia de feira. Havia agitação. Pregões em italiano. Fruta com excelente aspeto e muitas camisolas do Nápoles (porquê? estou a guardar este assunto para o último dia!).

Next stop? Cetara

Cetara é um local tranquilo, que vimos em menos de uma hora. Não tinha o encanto dos dois primeiros sítios que visitamos neste dia. Por esta altura, o céu ameaçava chuva (o que não aconteceu) e, talvez, tenha sido este fator que tirou algum encanto à experiência.

Vietri Sul Mare: Depois da “tempestade vem a bonança”

Um pouco desiludidos com a experiência em Cetara, chegamos a Vietri Sul Mare e rapidamente fomos envolvidos pela cerâmica que marca presença lugar. As fachadas são lindíssimas, a vista para o mediterrâneo é (novamente) incrível.

Andando pelas ruas, vemos várias lojas que vendem peças de cerâmica e que nos dão vontade de entrar em todas. Talvez tenhamos entrado em mais de 10 lojas e oficinas e em todas queríamos comprar peças para trazer para casa, mas, infelizmente, não tínhamos espaço para as trazer.

É fácil deixar-se apaixonar por Vietri Sul Mare e pelas suas cores. Almoçamos num restaurante onde a decoração era incrível. Os pratos, os copos, as chávenas de café, até a caixa onde entregavam a conta nos deixou deliciados. Gostamos tanto deste lugar que nos decidimos a ficar mais tempo do que tínhamos previsto.

Ao final do dia, a última viagem: Salerno.

A viagem de autocarro até Salerno dura uns 20 minutos. Chegamos ao final do dia e fomos recebidos por um belo pôr-do-sol. A luz que a cidade tinha naquele momento, fazia nascer um sentimento de nostalgia. Sabíamos que a nossa viagem também estava quase a terminar. Não queríamos, por isso, que anoitecesse. Em passo acelerado, exploramos Salerno.

Era sexta-feira. A cidade estava pronta para uma noite de festa. Pelas ruas encontrávamos bastantes grupos de pessoas preparadas para se divertirem. Era hora de jantar. O difícil em Salerno é escolher um restaurante, uma vez que a oferta é enorme. Entregamos essa tarefa ao TripAdvisor e, como sempre, a experiência foi fantástica.

Depois do jantar, percorremos alguns dos bares que existem no centro histórico e brindamos ao final da nossa viagem, ao som de música italiana.

Dia 7: Por fim, Nápoles

Embora Nápoles tenha sido a cidade onde aterramos, ainda não tínhamos visitado nada. Deixamos isso para o último dia da nossa viagem.

Em Salerno, apanhamos o comboio. 1 hora depois estávamos novamente no centro de Nápoles, desta vez para explorar o seu centro histórico. Eram 9h00 e o nosso voo partia às 16h00. Tínhamos uma manhã, por isso não perdemos tempo e começamos a caminhar pelas ruas da cidade napolitana.

Sabem o que mais nos surpreendeu em Nápoles? Ou melhor, em toda esta região? A paixão ao clube de futebol. Em 2023, o Nápoles foi campeão italiano pela 3ª vez na sua história e toda a região estava em êxtase. A última vez tinha sido há 30 anos, com uma equipa comandada por Diego Armando Maradona.

Mesmo quem não estivesse atento ao futebol, era impossível não ficar a saber que o Nápoles tinha sido campeão italiano. Porquê? Porque todas as ruas estavam decoradas com faixas azuis-celeste e brancas (as cores do clube). As caras dos heróis (os jogadores) enfeitavam paredes, centros de rua, varandas de prédios. As camisolas do Nápoles eram a indumentária mais usada pelos residentes, desde os mais jovens, aos mais velhos.

Mas sabem que mais? Isto não se limitava ao centro da cidade de Nápoles. Durante toda a semana foi este o cenário da nossa viagem. Em Castellamaare di Stabia, em Sorrento, em Positano, em Salerno. Milhares de quilómetros que demonstram que o futebol é muito mais do que um desporto.

Voltando à nossa visita a Nápoles, um dos pontos que mais gostamos foi a Duomo di Napoli. Perdemo-nos aqui por mais de uma hora e não conseguimos ver tudo com detalhe. É uma autêntica obra de arte. Ficamos maravilhados.

O relógio não perdoava. A hora de partida aproximava-se. Para nos despedirmos, era obrigatório comer uma pizza.

Já assistiram ao filme “Comer, Orar e Amar”? Há uma célebre cena em que Julia Roberts come uma pizza em Nápoles. Juntamos o útil ao agradável, e dirigimo-nos para a Pizzeria Da Michele.

Quando aqui chegamos, percebemos que não fomos os únicos que vimos o filme. Eram 12h00 e almoçar aqui era impensável (mesa só daí a 3 horas). Restava-nos o take-away. Era a nossa vez de somar mais duas pessoas a uma fila que já ia longa.

Lentamente, chegou a nossa vez. E comprovamos a qualidade da pizza. A espera valeu a pena! Não nos podíamos despedir de melhor forma.

A última fatia de pizza marcou o início do fim da nossa viagem. Entramos, de novo, no shuttle que nos deixou no aeroporto (5€/pessoa), para regressarmos ao Porto.

A viagem de regresso

Estamos, agora, no avião, rumo ao Porto. É o momento de revermos as centenas de fotografias que registamos durante esta semana.

Desta vez, o lugar ao nosso lado ficou livre. Não há Salvatore. Se algum dia nos voltarmos a cruzar, dir-lhe-emos que tudo aquilo que nos disse era verdade. A Costa Amalfitana é uma viagem inesquecível, que supera todas as expetativas!

Sobre o autor
O Daniel é licenciado em Turismo pelo ISAG e Mestre em Gestão e Planeamento em Turismo pela Universidade de Aveiro. Atualmente é responsável pelas áreas de Desenvolvimento Turístico e Estratégia Digital. É um apaixonado por viagens, sobretudo as que o permitem mergulhar nas histórias enraizadas de cada lugar. Caminhar (quilómetros) em novos destinos é a sua coisa favorita quando viaja!

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