As previsões iniciais apontavam um ano de 2020 bastante positivo para o setor do turismo em Portugal, com o número de turistas, dormidas e receitas a registarem máximos históricos (Barómetro IPDT, 2019).

Adiado. Suspenso. Cancelado. Anulado. Fechado. Encerrado. Subitamente, estas passaram a ser as palavras de ordem, numa altura em que o Covid-19 se alastra pela Europa e pelo mundo deitando por terra planos de viagens de milhões de turistas.

O novo coronavírus foi detetado em dezembro, na China, e já provocou milhares de mortes em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

Todo o panorama mudou repentinamente, sem que as empresas e a própria sociedade, tivessem oportunidade para pensar atempada e estrategicamente em planos de contingência.

O impacto económico do Covid-19 é reconhecido nos setores da saúde, do alojamento, dos transportes, em particular a indústria do transporte aéreo, sendo estes os mais afetados. O impacto é ainda visível nos setores do imobiliário, vinhos, têxtil e calçado, como muitos outros.

TURISMO

O Covid-19 provocou uma quebra acentuada de turistas, que se começou a verificar no início de fevereiro e tem vindo a ganhar terreno de forma acentuada.  O setor está a abrandar de forma rápida devido às fortes medidas restritivas para conter a pandemia um pouco por todo o mundo, sendo que a hotelaria e a restauração já registam quebras bastante significativas para o negócio.

HOTELARIA

A AHP – Associação da Hotelaria de Portugal antecipa perdas de receitas turísticas entre os 500 (cenário mais positivo) e os 800 milhões de euros (cenário mais negativo), entre o período de 1 de março e 30 de junho de 2020, de acordo com o inquérito aplicado junto dos seus associados, entre os dias 3 e 9 de março, para aferir o impacto do Covid-19 na hotelaria nacional.

Deve-se realçar que estes números podem agravar-se devido às fortes medidas que cada país está a implementar para mitigar a propagação do surto.

RESTAURAÇÃO

O Presidente Executivo da APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, adiantava, à data deste artigo, que com a atual incerteza quanto ao potencial impacto e duração do Covid-19, ainda não ser possível apresentar os números concretos do impacto desta situação no setor, mas garantia que as consequências seriam graves.

Segundo a mesma fonte, o encerramento dos restaurantes está a ser 100% voluntário, em 80% dos casos devido à falta de clientes e nos restantes por imposição direta dos trabalhadores que não querem correr riscos.

Uma alternativa possível a este cenário seria as entregas ao domicílio ou à porta, mas muitos restaurantes não têm estruturas preparadas para este quadro nem terão possibilidade de as criar nesta fase.

COMPANHIAS AÉREAS

Um pouco por todo o mundo as companhias áreas estão a cancelar até 90% dos seus voos. A propagação do Covid-19 e o encerramento das fronteiras em todo o mundo está a ter um forte impacto em todo o setor da aviação.

As companhias aéreas estão a reduzir drasticamente o número de voos para as próximas semanas e meses para responder à quebra acentuada da procura. As companhias áreas da Suécia e da Noruega anunciaram a dispensa temporária de 90% dos trabalhadores e uma grande redução dos voos.

O grupo Lufthansa e as diferentes empresas do grupo, que inclui a própria Lufthansa, a Swiss Air, a Eurowings, a Austrian Airlines e Brussels Airlines vão cortar 90% dos voos de longo curso. Mesmo dentro da Europa realizam-se apenas 20% dos voos planeados e assim vai continuar pelo menos até 12 de abril.

A British Airways vai cancelar 75% dos voos previstos para abril/maio. A Air France e a KLM vão deixar em terra 90% dos aviões e a TAP já tinha anunciado o cancelamento de 3.500 voos até maio.

Perante o atual quadro, o governo anunciou a criação de linhas de crédito de um total de três mil milhões de euros para os setores da economia mais afetados pelo impacto da pandemia de Covid-19. Entre os dados divulgados, salientamos os seguintes números:

  • 200 milhões de euros para as agências de viagens, animação turística, organização de eventos e similares​ (70 milhões dos quais para pequenas e médias empresas)
  • 600 milhões de euros para empresas de restauração, bebidas e similares (270 milhões dos quais para pequenas e médias empresas)
  • 900 milhões de euros para empreendimentos turísticos​ (300 milhões dos quais para pequenas e médias empresas)

Como forma de resposta, e cumprindo o seu dever cívico, o IPDT lançou uma linha de apoio gratuita dirigida aos empresários do turismo para os ajudar a fazer face aos impactos e desafios atuais colocados pelo Coronavírus Covid-19. Mais informações aqui

Sugestão IPDT

Numa altura em que o país e o mundo atravessam uma fase muito delicada e um momento único desde que há registo, ficar em casa é a decisão, neste momento, mais responsável que podemos ter. Aproveitar o tempo livre para visitar virtualmente alguns museus através do computador, do tablet ou até do telemóvel poderá ser uma das opções.

O IPDT enumera alguns museus nacionais que é possível visitar:

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