Os números são conhecidos e as imagens arrepiantes. Fogos de proporções inéditas fustigam a Austrália ao longos dos últimos meses, matando pelo menos 25 pessoas e cerca de 500 milhões de animais desde setembro de 2019.

Há 100 mil desalojados, fora as casas que perderam o acesso a energia elétrica. Em alguns locais a água potável tornou-se uma miragem.

Os especialistas atribuem a temporada de incêndios mais severa de sempre ao aquecimento provocado pelas alterações climáticas. Com efeito, 2019 foi o ano mais quente no país desde que há registo. A diminuição de precipitação e o aumento da temperatura permitiu uma seca que nos últimos dois anos dizimou grandes áreas de vegetação, permitindo que o fogo chegasse onde nunca antes tinha chegado.

Segundo dados recentes do departamento de meteorologia australiano, as temperaturas no país aumentaram 1,5ºC em relação ao período pré-industrial, superior à média do planeta, que regista um aumento de 1º C.

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Que impactos no turismo?

Com o agudizar dos incêndios, milhares de turistas tiveram de ser evacuados das cidades costeiras australianas e muitos visitantes internacionais cancelaram voos para o país.

Mais de nove milhões de turistas estrangeiros visitaram a Austrália até junho de 2019, o que significou uma injeção na economia de 45 mil milhões de dólares australianos, enquanto o turismo local representou outros 100 mil milhões de dólares australianos.

A diretora da Tourism Austrália, Phillipa Harrison, acredita que em breve será quantificado o impacto real dos incêndios. O professor da Universidade de Tecnologia de Sydney David Beirman, especialista em riscos turísticos e gestão de crises, estima que as perdas vão representar muitos milhões de dólares, uma vez que os incêndios afetam a época alta e esvaziaram regiões turísticas inteiras.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison confirmou também que o turismo e a agricultura são as atividades mais afetadas pelos incêndios, pedindo que os turistas apoiem o país, regressando à Austrália depois dos fogos, uma vez que as receitas geradas pelo setor (3% do PIB) são fundamentais para a recuperação. No imediato, o Governo tem fornecido dados sobre alojamento alternativo aos turistas que tinham férias planeadas para a região, a fim de tentar evitar mais impactos.

A economia poderá também ressentir-se em virtude de possíveis problemas de saúde, com a poluição do ar a afetar até um terço da população, com menor produtividade dos trabalhadores, mais gastos em saúde e menor produção agrícola.

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