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O turismo é, sem dúvida, um setor estruturante para a grande maioria dos destinos nacionais e internacionais. Embora tenha evoluído significativamente nos últimos anos, ainda existem algumas ideias erradas e/ou pré-concebidas que é fundamental clarificar para que o turismo possa continuar a prosperar e a trazer reais benefícios para todos – empresas, residentes e visitantes.

Para tal, e aproveitando o lema do dia 1 de abril, o IPDT decidiu avaliar a veracidade de 10 chavões proferidos sobre o turismo. Descubra-os e conheça a nossa resposta.

  1. O turismo contribui pouco para a economia dos países
    Errado. Vamos lá a números…

Em Portugal, em 2019, o consumo do turismo tinha um peso de 15,4% no PIB (em 2016 o valor era de 12,6%). No mesmo ano, o turismo foi responsável por 19,5% das exportações globais do nosso país. Se considerarmos apenas a exportações de serviços, o peso do turismo era de 51,3%.

Saiba mais sobre este tópico no TravelBI.

  1. O turismo não gera emprego
    Errado. Vejamos as estatísticas.

Em Portugal, o turismo é responsável – direta e indiretamente – por 2 em cada 10 empregos (dados 2019). Se contabilizarmos apenas os empregos diretos são mais de 320 mil portugueses. O turismo é, também, um dos setores com maior dinâmica na criação do próprio emprego: 22% das pessoas empregadas no turismo trabalhavam por conta própria (a média nacional no total da economia aproximava-se dos 17%).

Conheça mais estatísticas sobre o emprego em turismo neste artigo do Blog do IPDT.

  1. Os destinos têm de ter muitos turistas para ganhar mais dinheiro
    Errado. Se tiver 100 hóspedes que pernoitam 1 noite a (50€) e o meu concorrente tiver 50 hóspedes que pernoitam 3 noites (40€/noite), quem gera mais dinheiro?

As empresas e os destinos turísticos devem apostar na qualidade e não no volume. Existem vários exemplos que mostram que a quantidade nem sempre é sinónimo de lucro para as empresas, nem de qualidade para as experiências dos turistas. Assim, deve ser promovida uma atuação que privilegie a captação de fluxos turísticos de maior valor para os destinos (ex: que possam ter estadas médias mais prolongadas e que tenham mais propensão a visitar áreas não tradicionais).

Conheça o futuro do turismo de massas neste artigo do blog do IPDT.

  1. Os destinos não precisam de planos estratégicos
    Depende. Se o Plano Estratégico for um documento sem consequência, então os destinos não precisam deles.

São, no entanto, instrumentos determinantes para alcançar o sucesso de qualquer destino, se este estiver comprometido com a sua implementação, se trabalhar de acordo com os requisitos estratégicos definidos e se apostar nos mercados e segmentos com maior aptidão para o consumo dos seus principais produtos turísticos. Os planos estratégicos para o turismo devem ser ferramentas atuais, orientadoras da atuação e com um compromisso efetivo com os resultados e o crescimento sustentado dos destinos.

Sugerimos a leitura do artigo IPDT que elenca 10 dicas para uma estratégia de sucesso em destinos turísticos.

  1. Para ser “digital” basta ter website e redes sociais
    Errado no “basta”, mas as ferramentas referidas são fundamentais.

Muito se tem falado da digitalização dos destinos e das empresas do turismo, contudo ainda existe muito desconhecimento sobre o quê e como adotar soluções digitais. De facto, o mercado apresenta várias ferramentas digitais e que, naturalmente, trazem benefícios para quem as implementa. O ideal é que, caso a caso, e consoante a tipologia de negócio, se integrem soluções que possam melhorar e facilitar o desempenho das empresas e destinos (podem ser soluções menos ou mais disruptivas).

Quanto aos websites e às redes socias, como referimos, ter estas ferramentas é crucial para qualquer destino ou empresa. Cada vez mais, o turista antes de efetuar a compra (mesmo que seja em OTA’s) consulta o website e as redes sociais do destino/empresa para “validar” a compra. Se estes estiverem desatualizados, pouco atrativos e tiverem a informação numa lógica de repositório (por exemplo) poderá, muito bem, ser um fator para a desistência da viagem. Logo, ter estas ferramentas, por si, não é suficiente. É preciso trabalhá-las e tê-las constantemente atualizadas.

Saiba como promover melhor um destino turístico ou empresa online neste artigo.

  1. Para promover temos de participar em muitas feiras
    Errado. Voltamos à lógica da quantidade VS qualidade.

Participar em feiras de turismo é um dos mecanismos de promoção mais importantes em turismo. Contudo, antes de decidir participar numa feira é essencial compreender o que vai resultar desta aposta. A presença em qualquer feira deve ter um objetivo claro: gerar negócio, direta ou indiretamente, ou criar redes de contacto que possam gerar negócio no futuro.

Estar presente em todas as feiras não significa que o destino ou empresa se esteja a posicionar melhor no mercado.

Tomemos este exemplo:

  • Se um destino tem uma boa oferta em turismo religioso e a quer promover mais, fará sentido participar em 10 feiras orientadas para o turismo de natureza? Será que conseguirá gerar negócio? O dinheiro investido nestas presenças não poderia ser orientado para outro tipo de promoções, por exemplo, comunicação digital?

Conheça, neste artigo, porque é importante apostar na comunicação digital.

  1. Se colaborar com um concorrente perco o segredo do negócio
    Errado. Em turismo, partilhar conhecimentos pode resultar num segredo de negócio ainda mais vantajoso para todos.

O turismo é um mercado altamente competitivo, composto, essencialmente, por microempresas (9 em 10 empresas têm esta dimensão). Logo competir, de forma isolada, pode ser uma tarefa hercúlea, uma vez que os recursos para a promoção (por exemplo) são, por vezes, escassos. Acresce o facto de os turistas não conhecerem fronteiras (outro chavão, mas que é a mais pura das verdades!).

Tomemos estes exemplos:

  • Se o turista estiver a ter uma experiência TOP de visitas a igrejas num destino e for visitar o destino vizinho e encontrar todas as igrejas fechadas qual será o feedback final da experiência? Irá o turista compreender que esteve em 2 destinos distintos?
  • O turista almoça num restaurante onde todos os colaboradores prestam atenção ao detalhe e à qualidade do serviço, depois faz uma atividade radical com pessoas simpáticas que proporcionam uma experiência diferenciadora, e termina o dia num hotel que combina a hospitalidade das pessoas e a qualidade do serviço. Qual será o feedback do destino que dará aos seus amigos e familiares?
  1. Tenho muitos turistas, não preciso inovar
    Errado. Na verdade, pode fazê-lo, mas arrisca-se a ser ultrapassado por outros concorrentes mais dinâmicos.

O turismo, mais que outro setor, necessita de estar em constante atualização. Por um lado, essa atualização permite acompanhar as tendências de mercado e pensar respostas para novos serviços que os turistas possam usufruir. Por outro prisma, inovar nos serviços oferecidos pode ser o estímulo para atrair visitantes que repetem a visita.

Assim, inovar em turismo é uma das ações essenciais para manter qualquer destino ou negócio capaz de competir e ganhar no mercado.

Conheça as principais tendências do turismo para 2021.

  1. Faço reciclagem e tenho painéis solares: sou sustentável
    Não e sim. Está num bom caminho, mas ainda pode trabalhar muito mais e noutras áreas.

A sustentabilidade será um fator decisivo para a viagem dos turistas na próxima década. Destinos e empresas que promovam práticas efetivas de sustentabilidade serão muito mais vezes escolhidas pelos turistas. Contudo, a sustentabilidade não pode ser vista apenas na vertente ambiental, uma vez que é algo mais abrangente e com várias possibilidades de atuação.

O IPDT – Turismo e Consultoria é membro do GSTC, Global Sustainable Tourism Council, e partilha da sua posição de que a sustentabilidade deve ser promovida em 4 áreas: ambiental, económica, cultural e social. Acreditamos que é este mix e o compromisso com a implementação contínua de iniciativas, que permite ser, todos os dias, um pouco mais sustentável.

Pode consultar este artigo que elenca 6 passos para tornar um destino sustentável.

  1. A formação em turismo precisa de inovação e pragmatismo
    Verdade. Mas o panorama está a mudar.

O turismo foi das áreas que mais cresceu nos últimos anos, pelo que a oferta de formação, sobretudo para empresas/empresários, seguiu esse padrão. Efetivamente, no passado verificou-se um conjunto de ofertas formativas que propunham programas similares e que focavam as mesmas áreas, apresentando pouca aplicabilidade no contexto real.

Contudo, esta é uma das áreas onde tem sido feita uma das maiores apostas do Turismo de Portugal, também através das suas Escolas de Hotelaria e Turismo. Atualmente, há uma vasta oferta formativa, presencial e online, que os empresários podem aceder – inclusivamente de forma gratuita. Um dos melhores exemplos dessa aposta é a Academia Digital do Turismo de Portugal que contém uma oferta alargada de cursos em áreas como a Sustentabilidade, a Segurança ou a Digitalização, totalmente grátis.

Pode consultar a oferta formativa da Academia Digital aqui.

 

Como vimos existe um conjunto de ideias pré-concebidas que importa afastar. A experiência do IPDT, permite-nos afirmar que, felizmente, estes e outros “chavões” são cada vez menos frequentes e que os agentes do turismo estão mais atentos à realidade do setor e preparados para dar resposta às exigências do mercado.

Num contexto como o que vivemos atualmente, essa resiliência é crucial para que consigamos, todos os dias, evoluir e manter-nos, de forma positiva, na mente dos nossos consumidores.

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