A pandemia de Covid-19 alterou num curto espaço de tempo todo o setor do turismo e as consequências poderão prolongar-se pelo futuro. Com a abertura de fronteiras e o Verão à porta, questões de segurança impõem-se mais do que nunca. A preocupação com a higiene e alterou o comportamento dos turistas nos espaços públicos e acredita-se que, independentemente do aparecimento de uma vacina, estas preocupações vão perdurar.

As unidades hoteleiras estão em processo de adaptação e começam a implementar soluções que garantam o cumprimento das normas de segurança neste retorno da atividade do setor: desde a lotação dos espaços, à colocação de acrílicos nas receções bem como a alteração da disposição dos espaços comuns para que possa haver distanciamento social, entre diversas outras normas.

Deverão os empreendimentos em fase de projeto repensar o design dos espaços para implementarem estas medidas de raiz?

Segundo um artigo da Business Insider, que conversou com cerca de uma dezena de designers e arquitetos do ramo da hotelaria, há soluções que surgem como consequência da realidade atual, que poderão ser implementadas nos novos empreendimentos ainda em fase de projeto ou construção.

Flexibilidade é a palavra-chave. Estão a ser projetados espaços que evoluam consoante as necessidades e preferências dos hóspedes. As soluções passam por distanciamento, delimitação de espaços e sistemas contact-free. Acima de tudo, estes designers e arquitetos, procuram integrar as soluções nos espaços de forma esteticamente apelativa, acolhedora, sem criar distrações visuais e que fomentem nos hóspedes uma perceção de espaços seguros.

Apresentamos abaixo algumas soluções de acordo com as áreas dos hotéis:

Receção e Check-In:

O check-in poderá ser feito a partir dos smartphones dos hóspedes de forma a evitar contacto físico com os funcionários, evitar a concentração de hóspedes e filas.

Lobbies:

O principal objetivo será a criação de espaços minimalistas e flexíveis, com móveis que possam ser reorganizados facilmente de acordo com a dimensão dos grupos que pretendam usufruir do lobby.
As divisões dos espaços poderão ser feitas por estantes com objetos interessantes ou outro tipo de detalhe arquitetónico que direcione as pessoas para uma circulação correta e distanciamento seguro. Outras soluções poderão passar ainda pela integração de grafismos que se enquadrem nos esquemas de cores e estilo do hotel, como linhas e setas, que também ajudem a orientar a circulação.

Quartos:

Enquanto que num espaço comum há a opção do hospede escolher onde se sentar, por onde ir, onde tocar, nos quartos não. Neste caso é importante existirem indicadores de limpeza visíveis. O desafio passa pela criação de espaços acolhedores, em que a sensação de limpeza seja percetível, mas sem que se tornem clínicos, frios e impessoais.

Muitos designers optarão por superfícies lisas e menos porosas, pavimentos laváveis, objetos decorativos de linhas minimalistas e por soluções que permitam puxar ou empurrar as portas com o pé ou abrir janelas e torneiras com o cotovelo. Ou até mesmo soluções mais hi-tech como torneiras contact-free, por exemplo.

Salas de Conferências e Reuniões:

Também nestes espaços se deverá ter em consideração a flexibilidade das salas e do mobiliário utilizado para que seja possível reorganizar o espaço sempre que necessário.

As grandes salas de conferências darão lugar a salas mais pequenas e intimistas, mais minimalistas e com uma lotação menor. Sendo mais pequenas serão também mais fáceis de gerir. É ainda possível que estas salas possam ser combinadas entre si, quando necessário, para a criação de open spaces.

Algumas salas poderão ainda transformar-se em salas de eventos virtuais, com green screens, webcams e equipamentos para transmissões de vídeo.

Áreas de Restauração:

Será o fim dos buffets e do self-service? Para muitas unidades hoteleiras e resorts de regime tudo-incluído os buffets são uma das grandes estratégias de venda, mas ter a comida exposta ao ar durante grandes períodos de tempo é totalmente desaconselhado. Assim, para além de ser necessário encontrar novos modelos de regime tudo-incluído é necessário pensar em soluções para a disponibilização das refeições que poderão passar por salas de refeições á la carte com menor lotação e mais distanciamento como também uma maior oferta de serviço de quarto e grab-and-go o que levará os designers a criarem espaços, nos quartos, mais convidativos à realização das refeições.

Também as bancadas de buffet darão lugar a bancadas com sistemas de box de refeições grab-and-go.

 Ginásios:

Devem ser menores, com lotação limitada e podem mesmo ser salas privadas com regime de marcação.

Os hotéis podem ainda disponibilizar equipamentos em sistema de room service, desde tapetes de yoga, a pesos e elásticos ou até mesmo bicicletas estáticas complementadas com alguns vídeos com sugestões de treino.

O distanciamento social estará cada vez mais presente no vocabulário dos designers e arquitetos.No geral poderemos assistir a um aumento das áreas privadas, nomeadamente dos quartos, bem como um aumento e enfoque especial no design de espaços exteriores que permitam uma correta circulação e distanciamento social. As áreas interiores comuns serão mais pequenas, com menos lotação e mais minimalistas e serão privilegiados materiais laváveis, superfícies duras e lisas.

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