Artigo atualizado a 11 de setembro 2020 

O emprego e a melhoria da qualidade de vida das pessoas são dois pilares que alicerçam a sustentabilidade do turismo. Nos últimos anos, Portugal tem vindo a posicionar-se como um dos melhores destinos turísticos do mundo (saiba porquê neste artigo) e, como resultado de um trabalho contínuo e colaborativo, o emprego no setor aumentou significativamente.

Os dados de 2019 mostravam que o turismo era responsável – direta e indiretamente – por 2 em cada 10 empregos em Portugal. Além disso, 1 em cada 5 euros gerados provinham desta atividade, o que evidencia a importância do setor na dinamização da economia nacional (fonte: World Travel & Tourism Council).

Apesar de a COVID-19 estar a afetar os números do emprego em turismo, é importante analisar a evolução que vinha a acontecer até 2019 para compreender as principais tendências neste domínio e determinar a sua importância para a sustentabilidade económica e social em Portugal.

Em 2019 o turismo empregava 320 mil pessoas

Em 2019, o turismo – sobretudo nas atividades ligadas ao Alojamento e à Restauração – empregou diretamente 320 mil indivíduos, uma redução de aproximadamente 8 mil empregos face a 2018.

O ano de 2017 bateu recordes ao nível da criação de novos empregos, com um aumento de 16% face a 2016, representando o maior crescimento registado desde 2013.

6 em cada 10 trabalhadores do turismo são mulheres

O turismo tem um papel ativo no contributo para a igualdade do género, sendo uma ferramenta importante para o empoderamento das mulheres. Os indicadores mostram que 58% dos trabalhadores do turismo são do género feminino, mais 9% do que a média nacional no total da economia (49%).

Recursos Humanos mais qualificados

A aposta na maior qualificação dos recursos humanos é uma das principais metas da Estratégia do Turismo 2027. E os dados não enganam: em 2019, 13% das pessoas empregadas em turismo tinham formação ao nível do Ensino Superior. Este foi um aumento considerável por comparação a anos anteriores: em 2013, o valor situava-se nos 7,1% e em 2016 estava nos 9,8%.

Verificou-se ainda uma redução no número pessoas empregadas com formação ao nível do ensino básico. Em 2019, o valor baixou para os 53%, sendo que 2013 situava-se nos 68%. (em 2016 estava nos 62% e em 2018 estava nos 56%).

2 em cada 10 trabalham por conta própria

O turismo é um dos setores onde a criação de emprego por conta própria tem maior representatividade. Em 2019, 22% das pessoas empregadas em turismo trabalhavam por conta própria. A média nacional no total da economia aproximava-se dos 17%, o que permite concluir que este é um dos setores mais empreendedores da economia nacional.

Impulsionador do emprego jovem

Em 2019, 15% das pessoas empregadas em turismo tinha menos de 24 anos, um aumento de 2 pontos percentuais face a 2018. A média nacional no total da economia situava-se nos 6%.

O setor destaca-se pelas oportunidades de emprego que cria para os mais jovens e sobretudo no que respeita ao primeiro emprego. A faixa etária entre 25 e os 34 anos (23%) representava uma parcela bastante superior à média do total da economia (19%), sublinhando a importância do turismo no emprego jovem.

Remuneração registou crescimento, mas longe da média do total da economia 

Até 2019, em média, um colaborador do turismo recebia um rendimento bruto mensal de 1.060 euros. Este valor representa um aumento de 9,2% face a 2014, de 5,7% face a 2017 e de 2,8% face a 2018. Apesar do crescimento, o rendimento bruto mensal de um trabalhador do turismo encontra-se 217 euros abaixo do valor registado no total da Economia – 1.277€.

FONTE 

Para o desenvolvimento desta análise foram utilizados os dados relativos ao emprego em turismo disponíveis pelo INE – Estatísticas do Turismo 2019 – e pelo Turismo de Portugal – TravelBI.

 

LEIA O QUE ESCREVEMOS EM 2019

O turismo é um importante setor para a criação de riqueza e geração de emprego em Portugal. Em 2018, o setor representava 8,2% do PIB nacional e era responsável por 329 mil empregos, segundo dados do Turismo de Portugal.

O turismo tem registado um crescimento contínuo e constitui-se como um eixo estratégico para o desenvolvimento sustentado por todo mundo. O dia Mundial do Turismo comemorou-se a 27 de setembro, este ano sob o tema “Tourism and jobs: a better future for all”. O tema tem como objetivo analisar a capacidade do setor na criação de mais e melhor emprego e, assim, contribuir para a construção de um futuro melhor para milhões de pessoas em todo o mundo.

Mas, para que o crescimento económico seja uma realidade, é fundamental que o setor tenha disponível recursos humanos em diferentes áreas. Neste artigo, o IPDT apresenta uma breve caraterização das pessoas que trabalham no turismo em Portugal, através dos dados do INE – Instituto Nacional de Estatística e do Turismo de Portugal.

DADOS GERAIS DO EMPREGO EM TURISMO

Ainda que nos anos de 2014 e 2015 se tenha verificado uma descida do emprego no turismo, em termos absolutos, de 4% e 6%, respetivamente, nos anos 2016 e 2017 o emprego voltou a subir: 8% em 2016 e 11% em 2017. Importa referir que dos 329 mil empregos no turismo em 2018, mais de 247 mil são na área de restauração e bebidas e 81 mil na área do alojamento turístico. (Fonte: AHRESP).

EMPREGO NO TURISMO POR SEXO

As mulheres têm uma representação superior quanto ao emprego no turismo e a preponderância tem vindo a crescer: são mais de 21 mil desde 2013 e representam, em 2018, 58,1% do total de colaboradores. Ainda que nos anos de 2014 e 2015 se tenha registado, em termos absolutos, uma queda de 6% e 5%, respetivamente, nos anos de 2016 e 2017 os valores voltaram a subir (+7% e +8%).

EMPREGO NO TURISMO POR ESCOLARIDADE

Em 2018 mais de 143 mil trabalhadores do turismo tinham habilitações secundário/pós secundário e superior, um aumento de mais 51 mil em relação ao ano de 2013. Em 2018, a quota deste nível de escolaridade era de 43,7%. Estes dados demonstram que entre 2013 e 2018 os recursos humanos em turismo reforçaram significativamente as suas qualificações.

A valorização das profissões do turismo e a formação de recursos humanos – aumento das qualificações no Turismo – é uma das áreas de aposta da Estratégia 2027. Tendo por base a edição especial do Barómetro do Turismo para o anuário Turismo em 2019 – um projeto do IPDT – o painel apontou também a escassez/redução de qualidade dos recursos humanos e do serviço/produto prestado, como um dos fatores que terá um impacto mais negativo no desenvolvimento do turismo português durante o ano de 2019.

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