O Real Edifício de Mafra e o Santuário do Bom Jesus elevaram para 17 os Patrimónios Mundiais da UNESCO existentes em Portugal, numa decisão que incluiu também o Museu Nacional Machado de Castro, na área classificada da Universidade de Coimbra.

As recentes inscrições juntam-se ao Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, em Lisboa; ao Convento de Cristo, em Tomar; ao Mosteiro da Batalha; à Zona Central de Angra do Heroísmo, nos Açores; ao Centro Histórico de Évora; ao Mosteiro de Alcobaça; à Paisagem Cultural de Sintra; ao Centro Histórico do Porto; à Ponte Luiz I e ao Mosteiro da Serra do Pilar, bem como aos Sítios Pré-Históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde. A lista da UNESCO em Portugal integra ainda a Floresta Laurissilva, na Madeira, o Alto Douro Vinhateiro e Centro Histórico de Guimarães, a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, bem como a Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e Fortificações.

Para além desta lista, Portugal tem também Património Cultural Imaterial, designadamente o Fado, a Dieta Mediterrânica, o Cante Alentejano, a Falcoaria, a Produção de Figurado em barro de Estremoz, a Manufatura de Chocalhos e o Processo de Manufatura da Olaria Preta de Bisalhães.

Património e turismo, que relação?

A relação entre património e turismo é uma das mais bem-sucedidas. Desde a génese do turismo, as viagens de turistas tinham como uma das principais motivações a visita ao património. Crescia assim um sentimento de pertença e de proteção conjunta, permitido que os bens, quer culturais, quer naturais, fossem valorizados, contemplados e preservados para gerações futuras.

O estímulo inicial das viagens turísticas evidenciou a necessidade de cuidar e apresentar soluções para a proteção do património que, em muitos casos se encontrava ao abandono. Os atuais mecanismos de proteção e salvaguarda, a classificação e a inventariação, potenciaram uma nova visão sobre o património e a sua preservação. O turismo é um dos principais promotores desta mensagem e os dados oficiais comprovam que o interesse de visita dos turistas ao património, geralmente, aumenta após a classificação do bem.

Não obstante a relação turismo-património ser, na maioria das vezes, benéfica para ambas as partes, existem situações onde a sobrecarga turística tende a afetar a identidade do bem. É precisamente neste aspeto que se encontra uma das principais áreas de intervenção desta relação que se pretende win-win.

O princípio de igualdade de acesso ao património não deve ser negado, contudo as medidas a implementar devem gerir de forma eficaz o seu acesso e conhecimento, mantendo a autenticidade dos bens em primeira instância. Conheça que medidas existem para garantir a salvaguarda do património em perigo.

Perante a importância desta relação, o IPDT – Turismo e Consultoria está a realizar um trabalho com vista à dinamização da Rede de 4 Patrimónios UNESCO do Turismo do Centro: Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, Convento de Cristo, Mosteiro da Batalha e Mosteiro de Alcobaça. O objetivo passa por identificar o perfil de públicos e visitantes em cada um dos lugares, bem como as debilidades da atual oferta, ao nível da qualidade do serviço prestado. Numa segunda fase, o diagnóstico dará origem a um programa de melhoria e boas práticas e a Laboratórios Turísticos para agentes e operadores turísticos locais, com vista à venda em rede do produto “Lugares Património Mundial do Centro”.

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