A segurança é, desde há muitos anos, uma das forças mais evidentes no que diz respeito à comunicação de Portugal junto do mercado internacional.

Em 2019, o Global Peace Index (GPI) posicionou Portugal como o 3º país mais seguro no mundo, apenas superado pela Islândia (1º) e a Nova Zelândia (2º), um resultado excecional que reforçou o sentimento de segurança relativamente ao destino. Em termos comparativos, a Alemanha aparece como o 22º país mais seguro do mundo, Espanha como o 32º, França como o 60º. Já a Rússia (154º), a Turquia (152º) e os EUA (128º) surgem nos lugares inferiores do ranking.

Num período onde a segurança é – e será – um dos aspetos mais valorizados no momento da retoma do setor turístico constata-se que Portugal surge como um dos países mais elogiados na capacidade de resposta à crise COVID-19.

“(…) os portugueses vêm sendo elogiados na imprensa internacional, da revista alemã Der Spiegel ao norte-americano The New York Times, pela forma disciplinada como têm cumprido o isolamento social.” Público, 10 abril 2020

Se analisarmos o TOP 10 do Global Peace Index de 2019, e considerarmos os dados referentes à pandemia de COVID-19 (datados de 11 maio de 2020), concluímos que Portugal regista resultados próximos dos da Áustria e do Japão – dois países igualmente elogiados pela capacidade de gestão da crise.

Ao verificarmos a taxa de mortalidade das pessoas infetadas por COVID-19, Portugal (4,1%) apresenta números bastante inferiores comparativamente a outros países europeus, nomeadamente, Espanha (11,9%), Itália (13,9%), Reino Unido (14,5%) e França (19,0%). Os Estados Unidos registam uma taxa de mortalidade de 5,9%, contudo a crise pandémica ainda não se considera “controlada”, ao contrário do que acontece com a China – o primeiro epicentro da COVID-19 – e que regista uma taxa de mortalidade de 5,6%.

Verifica-se uma ligeira tendência para que os países considerados mais seguros no Global Peace Index, apresentem maior capacidade de resposta e de gestão.

Não obstante o trabalho desenvolvido em matéria de segurança sanitária, Portugal tem sido também elogiado pela comunicação que tem mantido com os mercados internacionais. O destaque vai para os vídeos de publicados pelo Turismo de Portugal (Can’t Skip Hope), pela Secretaria Regional de Turismo dos Açores (Azores is taking a break) e pelo Turismo do Centro (Haverá Tempo) que obtiveram resultados bastante positivos e posicionaram o país na mente dos consumidores como um destino responsável e seguro.

Os dados mais recentes publicados pela empresa espanhola Mabrian revelaram que durante os meses de confinamento social, a perceção de segurança dos turistas relativamente a Portugal nunca baixou do patamar dos 90%. Por oposição, a perceção de segurança em relação a Espanha e a Itália diminuiu até aos 60% e 30%, respetivamente.

Com o objetivo de reforçar o sentimento de segurança, Portugal tem sido pioneiro na implementação de algumas medidas de proteção. Exemplo disso é a criação do Selo Safe & Clean, o primeiro a nível mundial. As associações do setor, bem como as Entidades Regionais estão ainda a trabalhar em Manuais e Recomendações para a retoma do setor, um esforço comum que visa reforçar a mensagem de segurança junto dos mercados.

O impacto real da COVID-19 vai ter repercussões diretas e indiretas no curto, médio e longo prazo, com os turistas a apresentarem preferências e comportamentos distintos dos que existiam até ao surgimento da pandemia. No entanto, é fundamental entender que no momento da retoma das viagens internacionais, os ‘novos’ turistas vão dar prioridade aos destinos que geriram melhor a crise, que comunicaram de forma mais eficaz e frequente e que asseguram melhor a questão da segurança sanitária. Estes serão os pressupostos que vão permitir às marcas turísticas retomar mais rápido os índices de crescimento de forma gradual. Neste campo, Portugal parte na pole position.

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