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Tendências de Viagem e Turismo

10 Tendências para 2026

O turismo entra em 2026 com uma maturidade inédita.

Após um ciclo de crescimento acelerado, estabilização e reconfiguração pós-pandemia, viajantes e destinos operam hoje num território mais consciente, mais emocional e mais exigente. As decisões de viagem tornaram-se simultaneamente mais racionais e personalizada e é nesse equilíbrio que emergem as grandes tendências do próximo ano.

Sustentado pela análise contínua do mercado e pela auscultação dos principais decisores através do Barómetro do Turismo IPDT, este exercício identifica os movimentos estruturais que irão influenciar comportamentos, orientar escolhas e apoiar decisões estratégicas em 2026.

As tendências aqui apresentadas resultam de uma leitura integrada do comportamento do viajante e da evolução dos territórios, cruzando fatores sociais, culturais, tecnológicos e emocionais. Falamos de mudanças estruturais na motivação da procura e na forma como se viaja, já visíveis hoje e que ganharão maior expressão em 2026. Este exercício pretende servir como ferramenta de reflexão e apoio à decisão para destinos, empresas e profissionais do setor.

Fonte: Revista de Tendências Turismo’26

Tendência 1.

O luxo de cuidar de nós

Viajar em 2026 é, para muitos, um compromisso pessoal comparável ao que foi ir ao ginásio na década passada, com uma diferença essencial: os resultados são agora mais rápidos, visíveis e integrados no quotidiano. A viagem assume-se como um intervalo estratégico para investir no autocuidado estético e físico, permitindo aquilo que a rotina raramente concede: tempo, tranquilidade e acesso a profissionais qualificados. Tratamentos não invasivos, programas de regeneração, rotinas de “glow up” e pequenos ajustes passam a integrar a motivação da viagem, não como vaidade gratuita, mas como expressão contemporânea de bem-estar.

Esta tendência está profundamente alinhada com a leitura do Barómetro do Turismo do IPDT, que aponta para uma procura crescente por benefícios concretos e mensuráveis associados à viagem. O descanso, por si só, já não basta. O viajante quer regressar melhor, mais equilibrado, mais confiante, mais confortável no próprio corpo. Os destinos que integram clínicas especializadas, serviços certificados e programas estruturados de recuperação estética posicionam-se num novo território competitivo, onde a confiança e a credibilidade contam tanto quanto a paisagem.

O luxo, neste contexto, redefine-se. Deixa de ser excesso e passa a ser cuidado. Não é ostentação, é transformação. Em 2026, viajar para cuidar de nós deixa de ser exceção e afirma-se como uma escolha estratégica, legítima e cada vez mais transversal.

Tendência 2.

Viajar em função do estado de espírito

A motivação de viagem afasta-se progressivamente da lógica “para onde vamos?” e aproxima-se de uma pergunta mais íntima: “o que preciso agora?”. O viajante contemporâneo escolhe destinos como escolhe músicas, em função do estado de espírito, do ritmo emocional e da energia do momento. Procura atmosferas, não apenas lugares. Quer sentir leveza, introspeção, estímulo, conforto ou intensidade, dependendo da fase em que se encontra.

Este comportamento tornou-se suficientemente consistente para influenciar a forma como os destinos estruturam e comunicam a sua oferta. Já não basta listar produtos turísticos; é necessário traduzir sensações. A Porto Region foi pioneira ao organizar a sua comunicação em estados de espírito, reconhecendo que a emoção é hoje um critério central de decisão. Outros destinos seguem o mesmo caminho, criando experiências moduláveis e narrativas que ajudam o viajante a reconhecer-se antes mesmo de escolher.

Em 2026, o turismo aproxima-se mais da psicologia comportamental do que do marketing clássico. Viajamos menos para “ver” e cada vez mais para sentir. Quem souber ler esta nuance ganha uma vantagem competitiva clara e emocional.

Tendência 3.

O mundo como sala de leitura

O turismo literário entra numa nova fase. Não se trata apenas de visitar casas de escritores ou cenários de romances, mas de transformar a viagem num espaço de leitura, reflexão e cultivo cultural. Destinos que evocam histórias, personagens ou universos literários funcionam como portas de entrada emocionais, convidando o viajante a caminhar onde os livros já caminharam antes.

Ao mesmo tempo, cresce a viagem como resposta ao cansaço digital. Ler em viagem torna-se um gesto quase subversivo: desligar notificações, abandonar o scroll infinito e recuperar o prazer do pensamento contínuo. Para muitos viajantes urbanos, esta pausa cognitiva é tão importante quanto a mudança de paisagem. O livro acompanha a viagem e, muitas vezes, justifica-a.

Os destinos que compreendem esta tendência criam ambientes propícios à leitura: cafés tranquilos, bibliotecas inspiradoras, jardins silenciosos, miradouros que pedem mais um capítulo. Em 2026, viajar é também voltar a ler e, com isso, voltar a pensar com mais tempo.

Tendência 4.

O silêncio como destino

O silêncio deixou de ser um luxo abstrato para se afirmar como necessidade fisiológica. Num quotidiano saturado de estímulos sonoros, notificações e ruído mental, viajar passa a ser uma forma de recuperar aquilo que se tornou raro: não ouvir nada. O silêncio transforma-se num recurso escasso — e, por isso, valioso.

Esta tendência materializa-se numa oferta turística cada vez mais estruturada: hotéis “low-noise”, quartos com isolamento sensorial, retiros de descanso profundo e programas pensados para reduzir estímulos. Não se trata apenas de desligar dispositivos, mas de viajar para lugares onde o silêncio é desenhado, protegido e valorizado como infraestrutura essencial.

Para o viajante, o silêncio é um espaço de reorganização mental, foco e reflexão. Para os destinos, é uma oportunidade estratégica clara: quem souber integrar o silêncio como produto turístico diferenciado posiciona-se na linha da frente do bem-estar cognitivo.

Tendência 5.

Quando o destino chama outra vez

Repetir destinos deixou de ser sinal de falta de curiosidade. Pelo contrário, é hoje um comportamento associado à maturidade do viajante. Quem já viajou muito sabe onde foi feliz — e volta não por comodidade, mas por afinidade emocional. A repetição traduz segurança, memória positiva e vontade de aprofundar a experiência.

O Estudo de Perfil do Turista da Cidade do Porto (2025) confirma esta tendência: cerca de 30% dos visitantes estavam a repetir a viagem. Para os destinos, o desafio é claro — como surpreender quem já conhece o essencial? A resposta passa por segundas camadas de experiência: percursos alternativos, narrativas locais, conteúdos temáticos e propostas pensadas especificamente para quem regressa.

A inovação orientada ao repetente gera um ativo raro no turismo: lealdade. E em 2026, a lealdade vale tanto quanto qualquer novo mercado.

Tendência 6.

O sabor do dia-a-dia.

Os supermercados, mercados locais e lojas de bairro tornaram-se, silenciosamente, pontos de paragem turística. Em 2026, esta curiosidade deixa de ser informal e assume-se como tendência clara: descobrir destinos através da sua alimentação quotidiana. As prateleiras, os produtos locais e os hábitos de consumo contam histórias que muitos museus não conseguem contar.

O Barómetro do Turismo do IPDT confirma a procura crescente por experiências genuínas, sensoriais e culturais — mesmo quando não formalizadas. Este “Shelf Discovery” revela um viajante atento, que entende a comida como cultura viva, sobretudo fora dos circuitos gastronómicos clássicos.

Para os destinos, a oportunidade passa por valorizar o que sempre esteve lá: comércio local, rotinas alimentares e experiências simples. Em 2026, o luxo pode ser provar o pão de um bairro, entrar num mercado às 9h ou descobrir um produto que só existe ali.

Tendência 7.

A religião da bancada de futebol

Os estádios e museus desportivos afirmam-se como destinos culturais de pleno direito. Viajar para assistir a um jogo icónico ou visitar o estádio de um clube histórico tornou-se tão legítimo quanto visitar um monumento ou uma sala de concertos. Não é apenas desporto, é identidade, ritual coletivo e emoção partilhada.

Esta tendência não se encaixa no turismo de eventos tradicional, porque não depende do calendário, mas da ligação emocional. É um híbrido entre cultura, entretenimento e realização pessoal. O viajante quer sentir a vibração da bancada, mas também compreender a história que a sustenta.

Em 2026, o turismo desportivo consolida-se como um dos motores mais consistentes da mobilidade internacional. Afinal, há quem viaje por monumentos… e quem viaje por monumentos com relva.

Tendência 8.

A viagem como polígrafo das relações

As férias tornaram-se testes de compatibilidade. Viajar deixou de ser apenas uma pausa e passou a funcionar como laboratório emocional. Não é por acaso que janeiro e agosto/setembro surgem frequentemente associados a picos de pedidos de divórcio: são meses posteriores a períodos intensos de convivência em viagem.

Cada vez mais pessoas utilizam a viagem para avaliar relações: românticas, familiares ou profissionais. Destinos remotos, restrições, mudanças de papéis e decisões partilhadas expõem dinâmicas que o quotidiano esconde. A viagem revela e, por vezes, decide.

Em 2026, reconhecer este papel da viagem é essencial. Não dramatizar, mas compreender: as rotas dizem tanto sobre os destinos como sobre quem viaja connosco.

Tendência 9.

A viagem como sinal

Para uma parte dos viajantes, viajar é um gesto simbólico. Um sinal de mudança, transição ou alinhamento interior. Há quem viaje quando “sente que é o momento”, combinando pragmatismo com uma leitura mais intuitiva, por vezes influenciada por ciclos, energia emocional ou necessidade de clareza.

O Barómetro do Turismo do IPDT confirma esta leitura: muitos viajantes escolhem destinos como rituais de passagem para fechar ciclos, ganhar perspetiva ou tomar decisões. A viagem funciona como bússola interior.

Os destinos que criam espaços de contemplação, narrativas significativas e ambientes de introspeção posicionam-se num território sensível, mas altamente relevante. Em 2026, viajar é também uma forma de leitura pessoal.

Tendência 10.

O Algoritmo Invisível

A personalização torna-se expectável e invisível. A inteligência artificial entra na experiência turística como mecanismo de afinação silenciosa: ajusta rotas, sugere experiências e interpreta padrões sem se impor. Funciona como intuição aumentada, não como protagonista.

Ao mesmo tempo, cresce a consciência ética. O viajante quer tecnologia, mas não quer abdicar do humano. Valoriza a eficiência, mas desconfia da automatização excessiva. O equilíbrio é claro: a IA trabalha nos bastidores; a hospitalidade continua no centro.

Em 2026, os destinos mais bem-sucedidos serão aqueles onde a tecnologia melhora a experiência sem se fazer notar. Porque ninguém viaja para ver algoritmos, viaja para sentir.

Tendências de Viagem

Conheça as tendências que apontamos para os últimos anos

O turismo tem sido um dos setores mais dinâmicos e inovadores. Ano após ano, os turistas apresentam novos comportamentos de viagem, para os quais os agentes turísticos se devem adaptar.

Acompanhando a dinâmica nacional e internacional do turismo, o IPDT – Tourism Intelligence publica, desde 2007,  a sua Revista de Tendências ‘Turismo Em’. 

Quais são as principais tendências de viagem para 2026?

Porque é que estas tendências são relevantes para destinos e empresas?

O que é a Matriz de Sensibilidade Estratégica do IPDT?

O que significa “Viajar pelo Estado de Espírito”?

A IA vai substituir a experiência humana no turismo?

Qual o papel do Barómetro do Turismo IPDT neste estudo?

As tendências mudam todos os anos?

O que distingue esta análise do IPDT?

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