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Não há muito tempo, várias gerações familiares marcavam encontro anual nas barraquinhas listradas das praias, onde se faziam acompanhar de merendas diversificadas e calendários completos de atividades diárias, direcionadas para cada faixa etária. Eram momentos de alegria, convívio e partilha entre gerações. Com uma dinâmica semelhante foram surgindo as viagens multigeracionais, uma tendência que se veio a afirmar ao longo dos tempos e se foi adaptando à realidade do mercado.

Este conceito é usado para classificar viagens familiares, compostas por 3 ou mais gerações, e, atualmente, é impulsionado pela geração “baby boomers”, avós que desfrutam de um estilo de vida mais ativo e possuem acesso a um rendimento maior.

De acordo com um estudo da Booking, as viagens multigeracionais estão no topo da agenda para 2023. Segundo a mesma fonte, 54% dos viajantes vão optar por viagens familiares para recuperar o tempo perdido durante o período de confinamento pandémico, especialmente, famílias que residem em regiões dispersas no globo.

A própria agitação do quotidiano traduz-se na redução do tempo dispensado em família e numa crescente necessidade individual em relaxar, criar memórias e estreitar laços com aqueles que são mais próximos. Neste sentido, as viagens multigeracionais distinguem-se do cenário tradicional de viagens em família, na medida em que todos os elementos encontram atividades adequadas aos seus interesses e podem vivê-las de forma individual ou em grupo.

Além disso, as gerações mais velhas, habitualmente responsáveis pela logística das férias, encontram uma oportunidade para escapar ao stress, através do recurso a operadores turísticos que oferecem pacotes “tudo incluído” em resorts, villas e cruzeiros. Na maioria dos casos, estes grupos familiares escolhem destinos geograficamente distantes e acomodações mais luxuosas, uma vez que o grupo é numeroso e os custos são partilhados entre todos. Destaca-se ainda uma maior exigência e personificação das atividades e preocupações com a segurança.

Nos últimos anos verificou-se o aumento da procura por atividades de responsabilidade social, onde cada elemento pode realizar voluntariado ou participar numa ação educacional local.

O grande desafio deste segmento reside no facto de ser necessário conjugar as motivações e necessidades de diferentes faixas etárias, onde deverá existir uma preocupação acrescida com o bem-estar dos viajantes séniores, principalmente, no que diz respeito a questões de saúde e acessibilidades.

A Europa apresenta-se como mercado relevante para este segmento, devido ao gradual envelhecimento populacional, diversidade climatérica, oferta cultural e gastronómica e ainda atividades de lazer.

A título de curiosidade, em 2013, 12,5 milhões de britânicos (18% da população) desfrutaram de férias multigeracionais. Uma grande parte dos viajantes multigeracionais britânicos experienciou duas férias multigeracionais entre 2015 e 2018, 68% dos quais viajaram para destinos no exterior, com base no “The Telegraph”.

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