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No passado dia 15 de outubro decorreu em Cascais um dos maiores eventos desportivos de triatlo à escala mundial: o Ironman.

O Ironman, organizado pela World Triathlon Corporation (WTC), é acolhido em mais de 40 países ao redor do mundo e carateriza-se por ser uma das provas de triatlo mais desafiantes. A prova “full distance” inclui 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida, num tempo limite de 17 horas. Os atletas profissionais competem por um prémio monetário e pela classificação para o campeonato no mundo no Havai.

A realização de um Ironman está na “bucket list” de muitos atletas

Em 2021, os números globais de atividade registados na aplicação Strava subiram para valores recorde, com mais de 37 milhões de uploads de atividade física por semana.

Os desportos de endurance, como Maratonas e Ultra Maratonas, Trails, Ironmans e Granfondos estão em ascensão, com uma grande procura por parte dos atletas profissionais e recreativos/amadores, e têm-se revelado uma grande oportunidade para o setor do turismo.

Eventos como o Ironman Cascais, a Maratona do Porto e de Lisboa, ou o Douro Granfondo, reúnem milhares de atletas profissionais e recreativos por todo o mundo, que viajam para competir.

Muitos destes atletas vão carimbando o seu próprio “passaporte desportivo” com medalhas de participações nos quatro cantos do mundo. A experiência muitas vezes passa, não apenas pela participação no evento, como também pela própria viagem, que lhes permite conhecer e interagir com diferentes culturas, e ainda, vivenciar um novo destino a cada prova.

Há já algumas décadas que a relação entre turismo e desporto tem vindo a ser fortalecida. A competição, a saúde e o bem-estar são os propulsores da prática mas não só, também, e cada vez mais, a partilha, a vivência e a envolvente vêm a ganhar um grande peso.

O caso Ironman Cascais

O município de Cascais, que alberga e apoia o evento desde 2017, conseguiu nesta edição um número recorde de participantes. Foram cerca de 4.800 atletas de 101 nacionalidades, entre profissionais e amadores.

A prova passou os limites do concelho e realizou-se entre Cascais, Sintra, Oeiras e Lisboa passando por alguns dos locais mais emblemáticos da região: a Serra de Sintra, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e a ponte 25 de Abril.

O evento, com um orçamento de 1 milhão de euros, contou com cerca de 20 mil pessoas a assistir e gerou um retorno de aproximadamente 18 milhões de euros à atividade económica da região, com uma estada média de 6 noites por cada visitante, de acordo com a Associação de Turismo de Cascais.

Neste tipo de eventos desportivos em grande escala, o desafio passa por garantir uma experiência única, tanto para o atleta (recreativo ou profissional) como para o público e para a comunidade local, de uma forma cooperativa e sustentável.

6 motivos para os municípios apostarem em grandes eventos desportivos de endurance

  • Impulsionam a economia do destino: a maioria dos atletas, oriundos de vários países, viaja para os grandes eventos desportivos com algum tempo de antecedência, uma vez que as provas de endurance requerem alguma preparação pré-prova, o que acaba por se traduzir em estadas relativamente prolongadas;
  • São uma oportunidade para a mitigação da sazonalidade: se o destino escolher a realização da prova fora da época de maior procura turística consegue impulsionar os negócios locais, que mais sofrem com os efeitos da sazonalidade;
  • Não requerem a construção de infraestruturas de custos avultados: os desportos de endurance são realizados ao ar livre, em estrada, trilhos, no mar ou no rio. Pela sua natureza, estes desportos não necessitam de infraestruturas permanentes de grande envergadura para albergar o evento. Requerem, sim, logística e mão de obra, o que poderá impulsionar a criação de novos postos de trabalho;
  • Permitem a cooperação entre municípios: uma vez que as provas de longa distância podem atravessar fronteiras e promover a cooperação intermunicipal, trazendo benefícios para uma comunidade alargada;
  • Enquadram-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: no sentido em que é necessário criar condições para o desenvolvimento económico, social, ambiental e paisagístico do destino, através da cooperação de entidades publicas e privadas. E ainda, os municípios que apostam em eventos desportivos, incentivam a adoção de um estilo de vida ativo dos seus cidadãos e na manutenção de ambientes que o facilitem;
  • São uma montra do que o destino tem para oferecer a nível cultural e paisagístico: principalmente quando passam estrategicamente por pontos de interesse tornando a experiência única e inesquecível e motivando os atletas a revisitarem o destino ou mesmo a prolongarem a sua estada.
    Esta montra deve ser vista como uma grande oportunidade para uma estratégia de marketing de sucesso, uma vez que são os atributos culturais e paisagísticos que distinguem cada prova e a tornam única. Tomemos como exemplo a maratona de Roma:
    “Rome awaits you, glorious, colorful and loud. Rome is unique. With its thrilling romantic sunset on the Gianicolo and the quiet sunrise on Lungotevere. 42.195 km rich of art and history, cobblestones stepped by the crumpled sandals of roman gladiators in the past and by hundreds of thousands of marathoners in the last 25 years.” runromethemarathon.com
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