O final do ano é, em muitos destinos, o momento em que se fazem balanços. Encerram-se ciclos, revêm-se planos, avaliam-se ações e, sobretudo, questiona-se: estamos no caminho certo?
No turismo, esta pergunta é particularmente relevante. Os planos estratégicos de turismo são, por definição, instrumentos de médio e longo prazo. Não se esgotam num mandato político nem se avaliam apenas pela execução de ações. Avaliam-se pela sua capacidade de orientar decisões, mobilizar agentes e produzir resultados mensuráveis no território.
É precisamente por isso que avaliar um plano estratégico não é apenas medir o que foi feito, mas compreender o que mudou e porquê.
Avaliar não é apenas executar: três níveis fundamentais
Um dos erros mais frequentes na avaliação de planos estratégicos de turismo é confundir execução com impacto. Para evitar essa leitura simplista, a avaliação deve distinguir, pelo menos, três níveis complementares:
1. Indicadores de execução
Respondem à pergunta: o que foi efetivamente feito?
Incluem, por exemplo:
- ações implementadas;
- projetos lançados;
- instrumentos criados (marcas, plataformas, produtos, eventos).
São fundamentais para perceber o grau de compromisso com o plano, mas não dizem, por si só, se o destino melhorou.
2. Indicadores de desempenho
Respondem à pergunta: o destino está a evoluir na direção pretendida?
Aqui entram indicadores como:
- dormidas;
estada média;
peso de mercados internacionais;
RevPAR;
proveitos turísticos.
Estes indicadores permitem avaliar se a estratégia está a produzir resultados intermédios, coerentes com as metas definidas.
3. Indicadores de impacto
Respondem à pergunta mais estrutural: que transformação o turismo está a gerar no território?
Incluem:
- volume de negócio do setor;
- criação de valor económico;
- reforço da competitividade do destino;
- consolidação de novos posicionamentos.
Nem sempre são imediatos, mas são os que melhor traduzem o sucesso de uma estratégia.
Avaliar é também interpretar (não apenas medir)
Outro aspeto crítico é perceber que as metas não evoluem todas ao mesmo ritmo.
Um plano estratégico bem desenhado define objetivos ambiciosos, mas realistas, sabendo que algumas dimensões respondem mais rapidamente à estratégia do que outras.
Superar metas antes do horizonte temporal não invalida o plano. Pelo contrário, demonstra que:
- as metas estavam bem calibradas;
- a estratégia criou condições favoráveis à evolução do destino;
- existiu capacidade de execução e alinhamento entre atores.
Da mesma forma, metas ainda não atingidas não significam falha, mas sim:
- maturação mais lenta;
- necessidade de reforço de determinadas linhas de ação;
- ou ajustamentos estratégicos informados por dados.
É neste equilíbrio entre leitura quantitativa e interpretação estratégica que a avaliação ganha verdadeiro valor.
Dois exemplos práticos de avaliação estratégica
Vila Nova de Gaia – Estratégia para a Promoção e Captação de Novos Turistas
Plano apresentado em 2020, com horizonte até 2025.
Atentando às metas definidas no Plano, os dados de 2024 mostram que o destino já tinha superado vários dos objetivos previstos para 2025, o que revela a robustez do modelo estratégico e a sua correta implementação no território.
Alguns exemplos ilustrativos:
- Dormidas
- Meta 2025: 780 mil
- Ponto de Partida 2019: 725 mil
- Realidade 2024: 1,1 milhões
- Estada média
- Meta 2025: 2,0 noites
- Ponto de Partida 2019: 1,8 noites
- Realidade 2024: 1,9 noites
- Peso de hóspedes internacionais
- Meta 2025: 50%
- Ponto de Partida 2019: 46%
- Realidade 2024: 54%
- RevPAR
- Meta 2025: 65 €
- Ponto de Partida 2019: 56 €
- Realidade 2024: 74 €
- Volume de negócio do setor do turismo
- Meta 2025: 425 milhões €
- Ponto de Partida 2019: 366 milhões €
- Realidade 2024: 645 milhões €
Mais do que números isolados, estes dados evidenciam que a estratégia criou condições para um crescimento sustentado e antecipado, demonstrando coerência entre visão, metas e instrumentos de implementação.
Torres Vedras – Plano Estratégico de Desenvolvimento e Marketing Turístico (PEDMT 2028)
Plano apresentado em 2023, com horizonte até 2028.
Sendo um plano ainda em fase intermédia de execução, a avaliação de 2024 permite observar uma evolução consistente em várias dimensões, ainda que com ritmos diferenciados, algo expectável num processo estratégico estruturado.
Alguns exemplos:
- RevPAR
- Meta 2028: 75 €
- Ponto de Partida 2019: 42 €
- Realidade 2024: 50 €
- Proveitos de aposento por hóspede
- Meta 2028: 145 €
- Ponto de Partida 2019: 101 €
- Realidade 2024: 121 €
- Taxa de sazonalidade das dormidas
- Meta 2028: 32%
- Ponto de Partida 2019: 40%
- Realidade 2024: 38%
- Estada média
- Meta 2028: 2,5 noites
- Ponto de Partida 2019: 2,2 noites
- Realidade 2024: 2,2 noites
Neste caso, a leitura mostra:
- progressos claros em indicadores económicos;
- evolução gradual na redução da sazonalidade;
- estabilidade da estada média, sinalizando uma dimensão que exige continuidade e reforço de medidas específicas.
Avaliar o plano neste momento não serve para o julgar, mas para aprender, ajustar e reforçar a sua execução futura.
Avaliar para decidir melhor
No final, a avaliação de um plano estratégico de turismo deve cumprir três funções essenciais:
- Confirmar se a estratégia está a ser implementada;
- Perceber se os resultados estão alinhados com as metas definidas;
- Apoiar decisões futuras, ajustando prioridades e instrumentos.
Os planos estratégicos não são documentos fechados. São instrumentos vivos, que ganham valor quando são monitorizados, interpretados e usados como base para decisão.
Avaliar não é um exercício de prestação de contas apenas, é, sobretudo, um exercício de inteligência estratégica aplicada ao território.
Nota: O IPDT – Turismo e Consultoria foi a entidade responsável pelos Planos Estratégicos de Turismo para São Tomé e Príncipe, para as regiões dos Açores, Madeira, Porto e Norte de Portugal e, a nível municipal, por planos como os de Albufeira, Vila Real de Santo António, Coruche, Torres Vedras, Amarante, Vila do Conde, Melgaço, Vila Nova de Gaia, Almada, Sever do Vouga, Vale de Cambra, Arcos de Valdevez, entre outros.
Como podemos ajudar?
Se procura de soluções inovadoras no setor do Turismo, desde desenvolver e promover o seu destino ou negócio privado, o IPDT oferece serviços especializados em Gestão de Processos de Sustentabilidade, Consultoria Estratégica, Marketing e Comunicação, Estudos e Monitorização e Classificação de Património. Estamos prontos para o ajudar a alcançar sucesso.
O IPDT é membro Afiliado da UN Tourism
Contactos diretos
T. +351 226 097 060*
M. +351 916 646 397**
E. ipdt@ipdt.pt
* Chamada para a rede nacional
** Chamada para a rede móvel nacional




