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Uma certificação de sustentabilidade, quando corretamente integrada na estratégia de um destino, funciona como um sistema de gestão baseado em indicadores, permitindo medir desempenho, apoiar decisões estratégicas e promover processos contínuos de melhoria nas dimensões ambiental, social, económica e cultural. 

A sustentabilidade só produz resultados concretos quando é pensada como um processo estruturado, monitorizado e continuamente ajustado. Se não estiver enquadrada por uma lógica de governação, prioridades claras e métricas de avaliação consistentes, a proliferação de iniciativas isoladas, ainda que bem-intencionadas — tende a gerar impacto limitado e difícil de avaliar. 

Neste enquadramento, as certificações deixam de ser meros selos reputacionais ou instrumentos de comunicação externa e passam a assumir-se como ferramentas de gestão territorial, capazes de recentrar políticas públicas, orientar investimentos e avaliar, com base em evidência, se o destino está efetivamente a evoluir. 

Porque é que as certificações permitem medir, gerir e melhorar a sustentabilidade? 

Persistem ainda perceções redutoras associadas às certificações, muitas vezes vistas como processos burocráticos ou essencialmente ligados ao marketing territorial. No entanto, modelos de certificação robustos funcionam como verdadeiros frameworks de gestão integrada, com uma lógica muito próxima à de um plano estratégico de turismo. 

Na prática, os processos de certificação: 

  • Estabelecem prioridades claras com visão de longo prazo; 
  • Formalizam compromissos institucionais e responsabilidades; 
  • Promovem a articulação entre diferentes áreas e entidades; 
  • Introduzem uma lógica sistemática de avaliação e revisão contínua. 

A principal mais-valia reside no facto de assentarem numa base estruturada de indicadores, auditados por entidades externas e comparáveis ao longo do tempo. Este enquadramento permite: 

  • passar do discurso à medição objetiva do desempenho do destino; 
  • reduzir a subjetividade na avaliação; 
  • reforçar a rastreabilidade e a transparência das decisões. 

Importa sublinhar que a evolução da sustentabilidade não é um processo linear. Os dados exigem contextualização e interpretação à luz das dinâmicas específicas de cada território. Acima de tudo, a certificação não substitui a estratégia: reforça-a. 

Como as certificações organizam a sustentabilidade nos quatro pilares fundamentais? 

Uma das grandes vantagens dos processos de certificação é a sua visão integrada da sustentabilidade, evitando abordagens desequilibradas ou excessivamente concentradas numa única dimensão. 

Dimensão ambiental 

A monitorização regular de indicadores como consumo de energia e água, gestão de resíduos ou emissões permite: 

  • Identificar ineficiências estruturais; 
  • Priorizar investimentos com maior retorno ambiental; 
  • Avaliar o impacto real das medidas implementadas. 

Dimensão social 

As certificações integram métricas relacionadas com: 

  • Qualidade de vida da população residente; 
  • Envolvimento da comunidade nos processos de decisão; 
  • Acessibilidade, inclusão e equidade no acesso à oferta turística. 

Dimensão económica 

A sustentabilidade económica é analisada numa lógica de médio e longo prazo, considerando: 

  • Resiliência do modelo turístico; 
  • Impacto real na economia local; 
  • Equilíbrio entre crescimento, capacidade do território e criação de valor. 

Dimensão cultural 

A valorização do património material e imaterial passa a estar integrada na estratégia, contribuindo para: 

  • Preservar a identidade e autenticidade do destino; 
  • Evitar processos de descaracterização cultural; 
  • Reforçar a diferenciação territorial num mercado cada vez mais competitivo. 

Ao agregar, num único processo estruturado, iniciativas muitas vezes dispersas por diferentes departamentos e entidades, as certificações reforçam a coerência da ação pública e tornam esse esforço mais compreensível para residentes e visitantes. 

Como funcionam as certificações como sistemas de monitorização contínua? 

Um dos aspetos mais estratégicos das certificações de sustentabilidade é o seu carácter cíclico. A renovação periódica do processo obriga os destinos a: 

  • Recolher e analisar dados de forma consistente; 
  • Comparar resultados com anos anteriores; 
  • Identificar progressos, estagnações ou regressões. 

Este exercício transforma a certificação numa verdadeira ferramenta de aprendizagem organizacional. Mais do que alcançar um determinado nível ou estatuto, o valor está na capacidade de responder, de forma recorrente, a uma pergunta essencial:
o destino está efetivamente a melhorar? 

A lógica de benchmarking, tanto interno (evolução temporal) como externo (comparação com outros destinos), reforça uma abordagem baseada em evidência e apoia decisões mais informadas. 

Da teoria à prática: que resultados produzem os destinos certificados? 

Os exemplos seguintes ilustram alguns dos indicadores analisados no âmbito dos processos de certificação de destinos turísticos assessorados pelo IPDT, demonstrando tanto melhorias mensuráveis como dimensões que exigem ajustamentos estratégicos. 

Melgaço 

Certificado como destino turístico sustentável pela EarthCheck desde 2021, com assessoria do IPDT. 

O caso de Melgaço demonstra como a certificação pode apoiar decisões concretas de investimento, produzir ganhos ambientais mensuráveis e acompanhar a evolução da procura turística. 

Taxa de resíduos reciclados, reutilizados ou compostados: 

  • 2020: 14,4%  
  • 2023: 57,7% 
  • Meta 2025 do Plano de Ação para a Sustentabilidade de Melgaço: 55%

Resíduos enviados para aterro (toneladas): 

  • 2020: 2 899 
  • 2023: 1 564 

Os investimentos na gestão de resíduos, como novas ferramentas e campanhas de sensibilização, traduzem-se num progresso claro e mensurável. 

Número de dormidas:  

  • 2019: 43 915 
  • 2023: 48 178 

Número de excursionistas: 

  • 2019: 9 359 
  • 2023: 42 724 

RevPar: 

  • 2019: 21€ 
  • 2023: 28,6€ 
  • Meta 2025 Plano de Ação para a Sustentabilidade de Melgaço: 25€ 

A evolução da procura turística é evidente, e o crescimento expressivo dos excursionistas está associado ao perfil de Melgaço enquanto destino de proximidade e de visitas de curta duração, mas pode apontar para uma necessidade de gestão de fluxos. 

 Conheça em detalhe no website Discover Melgaço.

Região Autónoma dos Açores  

Certificado como destino turístico sustentável pela EarthCheck desde 2019, com assessoria do IPDT – Turismo e Consultoria 

Taxa de resíduos reciclados, reutilizados ou compostados:  

  • 2019: 33% 
  • 2023: 45% 

Resíduos enviados para aterro (toneladas): 

  • 2019: 65 298 (45% dos resíduos totais produzidos) 
  • 2023: 58 088 (39% dos resíduos totais produzidos) 
  • Meta para 2035 do PEPGRA 20+: reduzir para 10% a fração de resíduos enviados para aterro 

Os dados revelam uma tendência positiva na hierarquia de gestão de resíduos, com menor dependência de aterro e reforço da valorização. 

Taxa de sazonalidade: 

  • 2019: 36% 
  • 2023: 43% 

O aumento da sazonalidade reforça a necessidade de aprofundar estratégias de diversificação temporal da procura.  

 Conheça em detalhe no website Sustainable Azores.

A certificação não termina na leitura de resultados. O seu valor está na capacidade de acompanhar a execução, interpretar tendências e apoiar decisões futuras, assegurando coerência entre visão, metas e instrumentos de gestão. 

Perguntas frequentes sobre certificações de sustentabilidade 

O que é uma certificação de sustentabilidade para destinos e empresas? 

É um sistema estruturado de gestão, assente em indicadores ambientais, sociais, económicos e culturais, que permite monitorizar desempenho, apoiar decisões estratégicas e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Pressupõe-se que a certificação seja realizada por uma entidade acreditada, em conformidade com uma legislação internacional cada vez mais exigente, e com auditorias independentes de terceira parte. 

O que é uma auditoria independente de terceira parte? 

É uma avaliação realizada por uma entidade externa, imparcial e acreditada, para verificar o cumprimento dos requisitos e normas definidos pela entidade certificadora. 

A certificação garante que um destino é sustentável? 

Não. A certificação não valida um estado final. O seu valor reside na existência de processos de monitorização, avaliação e melhoria contínua, que permitem identificar progressos, fragilidades e prioridades de intervenção. 

Porque é necessário interpretar os resultados com contexto? 

Porque a evolução de um destino não é linear. Crescimento da procura, alterações económicas ou eventos externos influenciam os indicadores. Os dados devem ser interpretados à luz das dinâmicas específicas de cada território. 

As certificações servem apenas para destinos grandes? 

Não. Podem ser aplicadas a destinos de diferentes escalas. O essencial é o compromisso institucional, a disponibilidade mínima de dados e a capacidade de integrar os resultados na tomada de decisão. 

Nota institucional 

O IPDT – Tourism Intelligence foi responsável pela assessoria aos processos de certificação de sustentabilidade da Região Autónoma dos Açores, Região Autónoma da Madeira, Melgaço, Guimarães e Museu do FC Porto e Estádio do Dragão, no âmbito da certificação de destinos e organizações pela norma internacional EarthCheck. 

Como podemos ajudar?

Se procura de soluções inovadoras no setor do Turismo, desde desenvolver e promover o seu destino ou negócio privado, o IPDT oferece serviços especializados em Gestão de Processos de Sustentabilidade, Consultoria Estratégica, Marketing e Comunicação, Estudos e Monitorização e Classificação de Património. Estamos prontos para o ajudar a alcançar sucesso.

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