O turismo na Região do Porto e Norte de Portugal vale 2,4 mil milhões de euros e sustenta mais de 117 mil postos de trabalho. As dormidas duplicaram na última década, de 6,1 milhões, em 2014, para 14,7 milhões, em 2025. — dados apresentados na IPDT Tourism Conference’26
No ano em que celebra 25 anos de atividade, o IPDT – Tourism Intelligence renovou o formato da sua conferência anual. A IPDT Tourism Conference’26 transforma-se num Roadshow Nacional dedicado à reflexão sobre o futuro do turismo em Portugal.
A sessão de inaugural realizou-se no passado dia 28 de maio de 2026, na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, com abertura a cargo de Paulo Morais Vaz, diretor da instituição anfitriã, e António Jorge Costa, Presidente do IPDT, que destacaram a necessidade de uma reflexão estratégica e coletiva sobre o papel do turismo no desenvolvimento nacional e regional.
Sob o mote “E se o turismo acabasse?”, Daniel Costa, Diretor de Projetos do IPDT, apresentou uma análise sobre o impacto do setor na Região do Porto e Norte de Portugal. Os números não deixam margem para dúvidas, o turismo representa 2,4 mil milhões de euros na economia da Região e sustenta mais de 117 mil postos de trabalho.
As dormidas duplicaram na última década – de 6,1 milhões em 2014 para 14,7 milhões em 2025 – e os proveitos cresceram 80% face a 2019, atingindo 1.154 milhões de euros. Entre 2014 e 2024, o Valor Acrescentado Bruto do turismo na região triplicou, de 723 milhões para 2.401 milhões de euros.
Ainda assim, um dos sinais mais relevantes do estudo revela uma tendência de descentralização, cerca de 30% do crescimento das dormidas em 2025 ocorreu fora da Área Metropolitana do Porto, com destaque para o Alto Tâmega (+8,3%), Tâmega e Sousa (+6,5%), Alto Minho (+6,2%) e Douro (+3,9%).
Painel: “E se o turismo acabasse.. no Porto e Norte de Portugal?”
O debate foi moderado por David Pontes, Diretor do Público, e reuniu Álvaro Santos, Presidente da CCDR-Norte, Rui Alves, Diretor do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, Fátima Santos, Diretora do Departamento Municipal de Turismo e Internacionalização da Câmara Municipal do Porto e Nuno Botelho, Presidente da Associação Comercial do Porto.
Álvaro Santos defendeu que o turismo é hoje indissociável da coesão territorial, sublinhando que a região contempla margem para crescer de forma sustentada e que o desafio passa por qualificar, estruturar e potenciar os territórios que ainda não beneficiam plenamente da atividade turística.
No Porto, o cenário é diferente. Para responder à concentração de visitantes no centro histórico e na Ribeira, a Câmara Municipal criou, em 2024, oito quarteirões turísticos. Fátima Santos, Diretora do Departamento Municipal de Turismo e Internacionalização, explicou a lógica de não travar a procura, mas orientá-la.
Rui Alves, Diretor do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, trouxe os números da porta de entrada da região – 16,9 milhões de passageiros em 2025, mais do dobro dos 6,9 milhões de 2014, com ligações a mais de 130 destinos. O responsável alertou, contudo, para os constrangimentos nos controlos fronteiriços, considerando que estes representam um desafio à competitividade do destino e defendendo uma maior articulação entre as entidades competentes.
Nuno Botelho, Presidente da Associação Comercial do Porto, destacou o papel transformador do turismo no percurso de afirmação da cidade nas últimas duas décadas. Recordando o Porto do início dos anos 2000, sublinhou que foi a atividade turística que impulsionou a reabilitação urbana, atraiu investimento e contribuiu para devolver dinamismo económico e projeção internacional à cidade. O responsável defendeu ainda a importância de reforçar a perceção dos benefícios do turismo junto das comunidades locais, salientando que o desenvolvimento do setor deve continuar a ser acompanhado por um trabalho de proximidade com os residentes.
A sessão de perguntas e respostas prolongou o debate e trouxe para discussão temas como a mobilidade e acessibilidades, planeamento turístico, qualificação dos recursos humanos, habitação e investimento.
No encerramento da sessão, António Jorge Costa, presidente do IPDT, sublinhou que “questionar o turismo é um exercício necessário para reforçar o seu valor e preparar o setor para os desafios do futuro”.
O Roadshow Nacional da IPDT Tourism Conference’26 prossegue agora pelas restantes regiões turísticas do país, promovendo o debate em torno dos desafios e oportunidades que marcarão o futuro do turismo em Portugal.
As próximas datas serão anunciadas brevemente.



